REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA QUE ATUAM NA EDUCAÇÃO BÁSICA DO MUNICÍPIO DE GUARAPARI SOBRE O ENSINO DA CAPOEIRA NA ESCOLA

 

SOCIAL REPRESENTATIONS OF PHYSICAL EDUCATION TEACHERS WHO WORK IN BASIC EDUCATION IN THE MUNICIPALITY OF GUARAPARI ABOUT TEACHING CAPOEIRA AT SCHOOL

 

PERCEPCIONES SOCIALES DE LOS PROFESORES DE EDUCACIÓN FÍSICA QUE ENSEÑAN EN LA EDUCACIÓN BÁSICA DEL MUNICIPIO DE GUARAPARI SOBRE LA ENSEÑANZA DE LA CAPOEIRA EN LA ESCUELA

 

 

Romulo Lyra Lopes[1], https://orcid.org/0000-0003-0904-6817

 

Felipe da Silva Triani[2], https://orcid.org/0000-0001-6470-8823

 

 

Resumo:

A investigação analisa as representações sociais de professores de Educação Física, que atuam na Educação Básica do município de Guarapari/ES, sobre o ensino da capoeira na escola. A pesquisa operou com a Teoria das Representações Sociais e a Teoria do Núcleo Central como abordagem complementar. A coleta de dados foi realizada com 112 professores de Educação Física da Educação Básica que responderam a Técnica de Associação Livre de Palavras (TALP). A análise foi produzida com auxílio do software IRAMUTEQ, que trouxe análises acerca do corpus textual. Este estudo mostrou que, além da capoeira ser associada a cultura afro-brasileira, ainda urge a necessidade do aprofundamento na formação docente, destacando-se como instrumento contra o racismo e preconceitos religiosos. Tematizar a capoeira nas aulas de Educação Física pode contribuir para ressignificar representações sociais negativas associadas à sua prática.

Palavras-chave: representações sociais; educação; educação física; escola; capoeira.

 

Abstract:

This research analyzes the social representations of Physical Education teachers working in Basic Education in the municipality of Guarapari/ES regarding the teaching of capoeira in schools. The research employed the Theory of Social Representations and the Central Core Theory as a complementary approach. Data collection was carried out with 112 Physical Education teachers from Basic Education who responded to the Free Word Association Technique (FWAT). The analysis was produced with the aid of the IRAMUTEQ software, which provided analyses of the textual corpus. This study showed that, in addition to capoeira being associated with Afro-Brazilian culture, there is still an urgent need for further development in teacher training, highlighting its role as a tool against racism and religious prejudice. Introducing capoeira into Physical Education classes can contribute to re-signifying negative social representations associated with its practice.

Keywords: social representations; education; physical education; school; capoeira.

 

Resumen:

Esta investigación analiza las representaciones sociales de los docentes de Educación Física que trabajan en Educación Básica en el municipio de Guarapari/ES, con respecto a la enseñanza de la capoeira en las escuelas. La investigación empleó la Teoría de las Representaciones Sociales y la Teoría del Núcleo Central como enfoque complementario. La recolección de datos se realizó con 112 docentes de Educación Física de Educación Básica que respondieron a la Técnica de Asociación Libre de Palabras (TALP). El análisis se produjo con la ayuda del software IRAMUTEQ, que proporcionó análisis del corpus textual. Este estudio mostró que, además de la asociación de la capoeira con la cultura afrobrasileña, aún existe una necesidad urgente de mayor desarrollo en la formación docente, resaltando su papel como herramienta contra el racismo y los prejuicios religiosos. La introducción de la capoeira en las clases de Educación Física puede contribuir a resignificar las representaciones sociales negativas asociadas con su práctica.

Palabras clave: Representaciones sociales; educación; educación física; escuela; capoeira.

 

 

Introdução

 

A prática da capoeira na escola ligada as aulas de Educação Física tiveram suas primeiras discussões no início do século XX, porém, na época, não houve muita aceitação devido à sua prática ainda está ligada à marginalização. Segundo Campos (2001a), em 1946, novas discussões foram levantadas, mas então, outras propostas estavam enraizadas como a Ginástica Alemã, o Método Francês de Ginástica, o Método Sueco de Ginástica e o Método da Calistenia desenvolvida na Alemanha. Com isso, a proposta para uma nova ginástica não sofreu o impacto desejado.

Campos (2001a) conta que, somente em 1980, por meio do professor Inezil Penna Marinho, que, em 1946, foi Chefe da Seção Técnico-Pedagógica da Divisão de Educação Física do Ministério da Educação e Saúde, foi proposta a Ginástica Brasileira, vinculando a Capoeira à Educação Física, todavia estabelecida através da apropriação dos conteúdos do esporte nos programas de Educação Física Escolar.

Assim, ainda, de acordo com Campos (2001a, p. 88) a capoeira “[...] foi introduzida praticamente de três formas: na primeira, sendo incluída nos métodos de ginástica tradicional; na segunda, como conteúdo diferenciado da ginástica escolar; e, na terceira, como disciplina esportiva de caráter optativo”.

Por fim, no Brasil, houve um grande crescimento no número de instituições de ensino aderindo a prática da capoeira, contribuindo na propagação, na melhora no conhecimento corporal, no conhecimento cultural e nas inúmeras possibilidades de intervenção no que se refere à atividade física. Adicionalmente, a capoeira também passou a ser prescrita na Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2017).

A abordagem cultural da Educação Física é uma das possibilidades de valorizar práticas corporais, como brincadeiras, danças, lutas, esportes, ginásticas, as quais dialogam com a capoeira, considerando seus contextos sociais e históricos. A prática proposta pelo professor promove interpretações críticas que ampliam as formas de significação dessas manifestações. Os estudantes têm contato com diferentes saberes e confrontam suas ideias iniciais com novas informações. A diversidade cultural presente na escola é vista como elemento fundamental para o aprendizado.

Pereira e Pereira (2020) propõem que a capoeira como ferramenta pedagógica, ao gerar debates, promove a educação das relações étnico-raciais em todas as etapas da Educação Básica, em particular nas aulas de Educação Física, problematizando questões raciais a partir da sua prática. Esse processo favorece perspectivas descolonizadoras e leituras mais críticas das práticas corporais. Bortoli (2023) sustenta que a luta por liberdade, pelo combate ao racismo estrutural, por dignidade, por reconhecimento de identidade, por igualdade de direitos e de oportunidades se reconfigura no Brasil por meio da capoeira e se alicerça até os dias atuais.

Falcão, Jacob e Leite (2023) descrevem que o Brasil é marcado por uma herança escravocrata e que, embora haja leis de proteção, as crianças negras e pobres continuam sendo as mais vulneráveis, em uma desigualdade estrutural não alcançada pelas garantias previstas na Constituição. Em um estudo feito pela UNICEF (2021), os dados mostraram um aumento de 27% de mortes violentas de crianças com idade entre 0 e 4 anos, sendo os meninos negros a maioria das vítimas em todas as faixas etárias. Os dados indicam que a proteção da infância não se efetiva de forma igualitária, assim, a cor e a condição social seguem determinando quem mais sofre com as falhas do sistema.

A discriminação é resultado direto da diáspora africana, marcada por sequestro, escravização e desumanização de povos africanos, e suas consequências atravessam gerações. A barbárie de violências históricas não ficou no passado, continua se manifestando de formas diversas, afetando profundamente pessoas negras e seus descendentes. Isso significa que o racismo ultrapassa experiências individuais de preconceito, pois se organiza em sistemas sociais, através de estruturas históricas, e se deriva da longa trajetória, moldada a escolhas de estereótipos, envolvendo instituições, política e práticas sociais. 

A história da capoeira no contexto escolar compreende o racismo contemporâneo, reconhece a continuidade entre passado e presente e mostra a desigualdade racial atual, esta não acidental. Portanto, urgem políticas e práticas antirracistas, obrigatórias e específicas no currículo de formação de professores, as quais possam romper com a herança estrutural.

As representações sociais da capoeira são conhecimentos, socialmente elaborados e partilhados, com raízes em condutas e comunicações sociais. Moscovici (2007) destaca que as representações sociais não são apenas um produto individual, mas um fenômeno coletivo que reflete as condições sociais, culturais e históricas de uma comunidade. A apropriação da Teoria das Representações Sociais para o estudo da capoeira na escola pode possibilitar uma compreensão mais abrangente deste fenômeno, buscando identificar diferentes manifestações de pensamentos em um processo de construção, em um significado comum. Pode-se, por meio dessa teoria, explorar e analisar a capoeira nas aulas de Educação Física, a partir de uma perspectiva psicossocial, verificando sentido e significados atribuídos ao seu ensino na escola.

A questão central que este estudo investiga é: quais são as representações sociais compartilhadas por professores de Educação Física, que atuam na Educação Básica do município de Guarapari, sobre o ensino da capoeira na escola? Para responder a essa questão de pesquisa, esta investigação buscou analisar as representações sociais de professores de Educação Física que atuam na Educação Básica do município de Guarapari sobre o ensino da capoeira na escola.

Se a literatura apresenta a capoeira como um fenômeno a ser trabalhado, é justificável a importância do estudo contínuo sobre os seus processos de ensino, não somente sobre o que está sendo ensinado nas aulas de Educação Física, mas o seu crescimento e novas propostas a serem compartilhadas. Com isso, esta pesquisa traz informações que possibilitam compreender o conteúdo da capoeira entendido pelos docentes que atuam nas escolas, oportunizando discussões e reflexões acerca da temática da capoeira.

 

Metodologia

 

A base metodológica deste estudo tem como referência a Teoria das Representações Sociais (TRS), desenvolvida pelo psicólogo social Serge Moscovici em 1961, a qual se refere a um conjunto de ideias, crenças e valores compartilhados por um grupo sobre um determinado objeto ou fenômeno. Crusoé (2004) descreve que a TRS de Moscovici baseia-se na inter-relação entre sujeito e objeto e como se dá o processo de construção do conhecimento, ao mesmo tempo individual e coletivo na construção das Representações Sociais, um conhecimento de senso comum. Essas representações são construídas socialmente e ajudam interpretar, categorizar e dar sentido ao mundo ao seu redor.

Para conduzir esta pesquisa foi utilizada a abordagem estrutural das representações sociais. Essa abordagem é desenvolvida a partir da Teoria do Núcleo Central. Nele, está o significado central das representações sociais e, ao seu redor, o conjunto das representações sociais (Abric, 2001).

Machado e Aniceto (2010) afirmam que o núcleo central está relacionado à memória coletiva dando significação, consistência e permanência, portanto, estável e resistente a mudanças, composto pelos elementos estáveis ou mais permanentes das representações sociais, sendo esses de natureza normativa e funcional. Sá (1996) descreve que a Teoria do Núcleo Central não se limita ao âmbito explicativo dos elementos de formação das representações sociais. Triani, Cavalcante e Telles (2023) completam, descrevendo que todas as representações sociais possuem uma estrutura composta por elementos que formam o núcleo central das representações sociais e outros que compõem o sistema periférico.

Para desenvolver a pesquisa, foram entrevistados 112 professores de Educação Física, regentes de classe, que estavam atuando em sala de aula, com alunos do Ensino Fundamental da rede pública municipal de Guarapari, no Espírito Santo.

O município de Guarapari faz parte do litoral do estado do Espírito Santoregião sudeste do país, que está a 50 km da capital, localizada na região metropolitana de Vitória e a estimativa da sua população é de 124 656 habitantes. Este município, segundo o censo de 2010, contém 61 escolas do Ensino Fundamental, 842 docentes no Ensino Fundamental, 16 983 alunos matriculados no Ensino Fundamental, taxa de escolarização de 6 a 14 anos de 96,2% de idade. Seu Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), no Ensino Fundamental anos iniciais é de 5,8 e nos anos finais de 4,4 (IBGE, 2010).

Como instrumento de coleta de dados foi utilizado a Técnica de Associação Livre de Palavras (TALP), a qual faz parte das chamadas técnicas projetivas, orientada pela hipótese de que a estrutura psicológica do sujeito se torna consciente por meio de manifestações de condutas, reações, evocações, escolhas e criação (Coutinho; Bú, 2017). A TALP é um instrumento de pesquisa que se baseia no repertório conceitual em uma investigação aberta, assim evidenciando resultados a diferentes estímulos, esferas semânticas através das variações comuns de palavras, acontecendo sobre a evocação das respostas dadas a partir de estímulos indutores.

O instrumento de análise de dados escolhido foi o software IRAMUTEQ (Interface de R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires), desenvolvido por Pierre Ratinaud em 2009). Trata-se de um programa informático gratuito, que se ancora no software R e permite diferentes formas de análises (Camargo; Justo, 2013). Nesse sentido, para o desenvolvimento dessa pesquisa foram empregados dois métodos de tratamento de dados, a Análise Prototípica e a Análise de Similitude.

Nesta pesquisa foi utilizada a técnica de evocação livre de palavras com tratamento de palavras manualmente, assim ficaram distribuídos os dados das ocorrências em quatro quadrantes, com o intuito de investigar o que pensam, por que pensam e como pensam os indivíduos de um grupo acerca do termo indutor “capoeira na escola”.

Esse estudo é um recorte do Projeto de Pesquisa “A Educação Física na Base Nacional Comum Curricular: representações sociais e práticas educativas na Educação Básica”. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, cujo número do parecer é 7.039.779 de 29 de agosto de 2024.

 

Resultados

 

O total de palavras registradas pelos participantes da pesquisa foi de 560 evocações. Todas foram tratadas pelo software IRAMUTEQ, que nos permitiu identificar o núcleo central, os elementos de contraste e os periféricos das representações sociais. Assim, as palavras que compõem a estrutura das representações sociais simbolizam o que pensam os participantes da pesquisa no que se refere ao ensino da capoeira na escola. Sá (2002) explica que esse conjunto de palavras é facilmente interpretável, pois engloba as cognições mais suscetíveis que constroem o núcleo central das representações sociais.

A análise prototípica registrou um total de 38 grupos semânticos de palavras. A média da Ordem Média de Evocações foi de 2,83 e a Frequência média (f) foi igual a 8,15. Por meio desses valores, elaborou-se o Quadro 1, no qual são apresentados os quatro quadrantes com os respectivos grupos semânticos que compõem a estrutura das representações sociais do grupo de professores de Educação Física que participaram da pesquisa.

 

Quadro 1. Análise prototípica referente ao termo indutor “Ensino da capoeira na escola” de um grupo de professores de Educação Física

Elementos Centrais – 1.o quadrante

Primeira Periferia – 2.o quadrante

Alta f e baixa Ordem Média de Evocações

F ≥ 8,15 e OME < 2,83

Alta F e alta Ordem Média de Evocações

F ≥ 8,15 e OME ≥ 2,83

Palavra

Freq.

OME

Palavra

Freq.

OME

Cultura

Luta

Disciplina

Movimento

Importante

19

17

13

9

9

2,6

2,5

2,4

2,6

1,2

História

Expressão Corporal

Ritmo

Respeito

Socialização

Afro-brasileiro

Esporte

Inclusão

17

16

12

12

12

11

9

9

3,1

3,1

3,2

3,1

3,0

3,7

3,3

3,0

Elementos de Contraste – 3.o quadrante

Segunda Periferia – 4.o quadrante

Baixa F e baixa Ordem Média de Evocações

F < 8,15 e OME < 2,83

Baixa F e alta Ordem Média de Evocações

F < 8,15 e OME ≥ 2,83

Palavra

Freq.

OME

Palavra

Freq.

OME

Ginga

Necessária

Coordenação Motora

Agilidade

Saúde

Arte

Prática

Atividade Física

Essencial

Roda

Lutas

Jogos

8

8

7

7

6

4

4

4

4

3

3

3

2,1

2,0

2,1

1,7

2,0

2,8

2,5

2,5

1,5

3,2

2,7

2,8

Música

Educação

Conhecimento

Habilidades Físicas

Preconceito

Jogo

Musicalidade

Formação

Consciência Negra

Flexibilidade

Desenvolvimento Motor

Patrimônio Cultural

Regras

8

6

6

6

4

4

3

3

3

3

3

3

3

4,1

4,2

4,2

4,0

3,0

3,0

2,0

4,7

3,0

4,0

4,0

3,7

3,3

Fonte: Elaboração própria

 

No primeiro quadrante, estão alocadas as palavras com F maior ou igual a 8,15 e com uma OME menor que 2,83. Esses dois valores foram gerados pelo IRAMUTEQ, sendo usados como critério de corte para distribuir as palavras nos quadrantes. A principal foi a palavra “Cultura” (f = 19; OME = 2,6), seguida das palavras “Luta” (f = 17; OME = 2,5), “Disciplina” (f = 13; OME = 2,4), “Movimento” (f = 9; OME = 2,6) e “Importante” (f = 9, OME = 1,2).

A primeira palavra que se destaca é a “Cultura”, termo está localizado no Núcleo Central, e que traz indicativos do grupo em relação à capoeira na escola nas aulas de Educação Física. A palavra “Cultura” foi a mais evocada pelos professores, apresentando uma frequência de 19 vezes entre os 112 participantes. Além disso, ela foi tida como a mais importante com a OME de 2,6, assim aparecendo entre as duas primeiras respostas na escala das 5 palavras.

De acordo com Sá (1996, p. 23),

 

[...] isto quer dizer que, quando as pessoas emitem julgamentos aparentemente absolutos, com frequência já se encontram neles embutidas, embora não de forma manifesta, diversas alternativas condicionais consideradas legítimas ou mesmo algo como uma condicionalidade genérica ou aberta. É esta hipótese da condicionalidade que proporciona um critério externo para distinguir entre as cognições do núcleo central, que seriam absolutas, e as cognições periféricas, que seriam condicionais. Ao mesmo tempo, confere-se assim maior plausibilidade à dinâmica das relações entre os elementos cognitivos dos dois sistemas, como proposta pela teoria.

 

Uma hipótese interpretativa é a de que a tematização da capoeira na escola está associada ao ensino da cultura afro-brasileira, a partir do conteúdo Lutas. Nessa perspectiva, destaca-se uma terceira palavra: “Disciplina”, cuja frequência de 13 evocações a coloca após as duas primeiras respostas.

Oliveira, Souza e Triani (2024) descrevem que, nas representações sociais dos professores sobre o conteúdo das lutas, aparece o termo “disciplinador”, a qual se resume aos de jogos de oposição e outras práticas corporais que não buscam definir uma modalidade. Logo, identifica-se que as lutas estão interligadas, mostrando a ideia de envolvimento, compromisso, dedicação, hierarquia entre outros adjetivos caracterizando o grau de dificuldade. Dario (2007) afirma que a capoeira é um pouco de tudo. É um esporte, uma luta, uma dança, um jogo, uma manifestação genuína brasileira, criada pelos negros escravizados no Brasil. As seguintes narrativas, além de mostrar as afirmativas das características da luta citadas acima, traz a ideia de inclusão, no contexto de coletividade da prática, em duplas ou na roda de capoeira.

 

Professor 6: A luta requer disciplina dos praticamente.

Professor 31: Todas as práticas de lutas ou artes marciais têm sua disciplina que é baseada em vários fatores direcionados ao respeito.

Professor 65: Um instrumento pedagógico que ajuda os alunos a terem responsabilidades.

Professor 94: A participação coletiva trabalha a disciplina do aluno.

Professor 108: Organização pessoal.

Professor 111: Para se obter o aprendizado dessa prática é necessário disciplina na prática.

 

A luta é um tema que tem uma grande representatividade na sociedade, em alguns momentos está associada à disciplina no contexto do autocontrole e em outros ao esporte e à saúde. Sua aplicabilidade no contexto educacional apresenta pontos de vistas diferentes entre os professores. Essa pesquisa trouxe dados que mostram pontos de vistas diferentes, porém todos afirmam ser a capoeira uma luta.

 

Professor 8: Remete a luta devido aos movimentos.

Professor 13: A capoeira é uma espécie de luta com origem africana  

Professor 20: Luta dos escravos.

Professor 46: Luta porque tem como características a defesa pessoal.

Professor 82: A capoeira é uma luta.

Professor 106: A capoeira é uma luta.

 

As justificativas das respostas imediatas dadas pelos professores mostram a estrutura do universo consensual. Segundo Arruda (2002), o universo consensual em sua construção surge na conversação informal no cotidiano. Ou seja, trata-se do conhecimento no qual os sujeitos têm papel ativo na construção das representações sociais. Moscovici (2007, p. 26) descreve que “no universo consensual, a sociedade é uma criação visível, continua, permeada com sentido e finalidade, possuindo uma voz humana, de acordo com a existência humana e agindo tanto como reagindo, como um ser humano”. Assim, o ser humano caminha, produzindo e reproduzindo conhecimentos, com questionamentos, com soluções de problemas, tudo adquirido na própria vida cotidiana.

Já no universo reificado, Moscovici (2007, p. 51) afirma que a sociedade é transformada em um sistema de entidades sólidas, básicas, invariáveis, que são indiferentes à individualidade e não possuem identidade. Assim, se refere à manifestação de conhecimentos científicos em uma avaliação lógica e metodológica com objetividade. Algumas justificativas dos professores se aproximam dessa realidade, tendo a contribuição de uma visão técnica, associando não somente os aspectos psicossociais, mas também o cognitivo e o psicomotor, como podemos observar nas narrativas docentes:

 

Professor 15: A capoeira melhora o movimento corporal.

Professor 31: A capoeira desenvolve flexibilidade, velocidade e força.

Professor 47: A capoeira melhora o condicionamento corporal.

 

De acordo com BNCC, as lutas são uma das práticas corporais que devem ser desenvolvidas nas aulas de Educação Física, com a divisão dos conteúdos em quatro objetos de conhecimento: Lutas comunitárias, Lutas indígenas e afro-brasileiras, Lutas do Brasil, Lutas do mundo (Brasil, 2017). Com base nas narrativas dos professores sobre o ensino da capoeira na escola, notamos que alguns compartilham conhecimentos do senso comum sobre o tema.

No Núcleo Central, a palavra “Cultura” teve frequência superior à “Luta”. Segundo Brandão (2017, p. 393), “Cultura é tudo o que o homem agrega à natureza; tudo o que não está inscrito no determinismo da natureza e que nela é incluído pela ação humana”. Esse conceito corrobora as narrativas a seguir:

 

Professor 3: Pode ser uma prática cultural e histórica.

Professor 15: A capoeira faz parte da identidade cultural brasileira, sendo reconhecida mundialmente como prática que une o esporte e a arte luta dos escravos.

Professor 29: Envolve o trabalho de conhecimento cultural que faz parte da capoeira.

Professor 57: Cultura brasileira de uma história inestimável para o povo negro do nosso país.

Professor 70: Conscientização das diversas culturas existente e importantes.

Professor 77: Desenvolvimento e resgata a cultura que vem de nossos ancestrais, pela história e pelo que ela representa hoje.

Professor 78: Capoeira é uma cultura popular.

Professor 101: Faz parte da nossa cultura brasileira.

 

Toda simbologia que a capoeira traz enriquece sua prática pedagógica, tais como: os cantos, os instrumentos, os movimentos, a história e tudo com base na cultura que ela carrega. O estudo feito por Columá, Chaves e Triani (2017) indica que a prática da capoeira, com todos seus elementos simbólicos que a constituem em um rito, aflora sentimentos, tornando vívidas as pulsões emocionais que arrebatam os sujeitos. Com isso, a cultura da capoeira é leve, natural e promove a vontade de participar de uma roda de capoeira.

Em sequência, na análise, apresenta-se a palavra “Movimento”, como um elemento presente na estrutura das representações sociais do grupo dos professores de Educação Física. Está na quarta posição do núcleo central, com uma frequência de 9 e uma OME de 2,6. Sobre o movimento, os professores trouxeram a ideia do desenvolvimento corporal, com relação à prática da capoeira, associando as valências físicas a serem trabalhadas na escola. As justificativas docentes desvelam as valências físicas que o movimento da capoeira pode proporcionar.

 

Professor 3: Promove o estímulo de diversas habilidades e capacidades psicomotoras através dos seus movimentos.

Professor 50: A prática da capoeira envolve movimentos que desenvolvem as habilidades físicas, coordenação motora e consciência corporal.

Professor 85: A capoeira é um ótimo esporte para estimular o movimento humano.

 

Outras narrativas sobre a palavra “Movimento” trazem representações sociais dos professores de uma forma mais comum, com uma visão de prática jogada e dançada, com a afirmação que a capoeira é movimento.

 

Professor 41: Movimento corporal

Professor 76: Movimento corporal

Professor 78: Sua prática é através do movimento.

Professor 80: O tempo todo se movimentando.

 

Ainda na análise do Núcleo Central, temos a palavra “Importante”, com uma frequência de 9 e OME de 1,2. O contexto das narrativas apresentadas dá suporte às palavras evocadas no núcleo central, através da palavra “importante”, abrangendo as habilidades a serem vivenciadas: fazer valer a BNCC, ressaltar a importância da capoeira no aspecto social e exaltar a cultura afro-brasileira. Segundo Columá, Freitas e Triani (2015), a ginga da capoeira é o movimento metafórico do diálogo do negro escravizado, externando maus-tratos da história que ainda tem suas marcas e toda sua trajetória, assim com uma grande importância a ser explorado. Sua expressão cultural movida pela música motiva não somente os movimentos da capoeira, mas a criatividade, ao se colocarem a dançar.

 

Professor 4: É importante, pois é uma luta, arte, jogo e dança extremamente complexo e possibilita o desenvolvimento infantil.

Professor 23: Penso ser importante e creio ser uma prática indiscutível de se aplicar.

Professor 107: Devido à grande importância de mostrar a cultura afro.

 

O Núcleo Central mostra que o ensino da capoeira na escola, nas aulas de Educação Física, é bem-vista e foi associada ao desenvolvimento humano.  Mesmo que os participantes sejam profissionais da área do movimento, o senso comum sobre a capoeira não traz somente aspectos técnicos, mas corrobora o cotidiano dela. Campos (2001b) argumenta que a capoeira faz parte dos grandes ícones contemporâneos representativos da identidade cultural brasileira, com sua história própria de ascensão, inclusão e/ou tensão em seu processo formativo como símbolo nacional. Essa explicação vem da experiência sociocultural de africanos e seus descendentes no Brasil, logo sua trajetória de força, resistência e resiliência é a base para toda sua estrutura formativa.

Ainda contribuindo e analisando os elementos representacionais presentes no Quadro 1, dando suporte ao Núcleo Central, temos os elementos da primeira periferia que apresentam oito palavras, são elas: “História” (f = 17; OME = 3,1), bem como “Expressão Corporal” (f = 16; OME = 3,1), “Ritmo” (f = 12; OME = 3,2), “Respeito” (f = 12; OME = 3,1), “Socialização” (f = 12; OME = 3,0), “Afro-brasileiro” (f = 11; OME = 3,7), “Esporte” (f = 9; OME = 3,3) e “Inclusão” (f = 9; OME = 3,0). Essas palavras, as mais importantes das periferias, possivelmente com uma mudança na estrutura das representações sociais podem vir a aparecer no Núcleo Central.

No segundo quadrante, as palavras serão analisadas por categorias, levando em conta o seu sentido e/ou conceito. Assim, foi subdividida em duas categorias: “Historicidade” que abrigará os cognemas, “História”, “Respeito”, “Socialização”, “Afro-brasileiro” e “Inclusão”. A outa será “Desenvolvimento Corporal”, a qual ligará as palavras “Expressão corporal”, “Ritmo” e “Esporte”. Na categoria Historicidade, as palavras formam segmentos da construção de representações sociais ligada à capoeira, mostrando que os professores não apenas têm uma forte tendência em olhar sua prática pelo viés metodológico e técnico, mas também acreditam em valores sociais, através de um conjunto de fatores que constituem a história e que condicionam o comportamento. Já o segundo grupo, relacionado ao Desenvolvimento Corporal, traz narrativas que relacionam o ensino da capoeira na escola às valências físicas.

Considerando a historicidade, Vilas Bôas (2010, p. 398) afirma que

 

[...] a contribuição de uma análise que considere a historicidade das representações sociais oferece, portanto, a possibilidade de, ao sopesar sua dimensão estável e dinâmica, estabelecer um referencial analítico e interpretativo acerca do conteúdo representacional no sentido de investigar os processos que o constitui, contribuindo, com isso, para sua desnaturalização, ou seja, para a compreensão de que ele é parte de uma construção histórica e não uma espécie de "universal abstrato", na medida em que permite tornar visível a "experiência histórica de nossa sociedade", que se expressa na atualização de elementos do passado presentificados nas representações sociais contemporâneas.

 

O terceiro quadrante ou zona de contrate, de acordo com Camelo, Araújo e Castro (2023), expressa os elementos periféricos contrastados, ou seja, com baixa frequência, porém prontamente evocados. Nota-se que os seus elementos se aproximam tanto dos elementos centrais quanto dos elementos da primeira periferia, podendo, assim, futuramente compor o Núcleo Central.

Nesta pesquisa, o terceiro quadrante aloca as palavras: “Ginga” (f = 8; OME =  2,1), assim como “Necessidade” (f = 8; OME = 2,0), “Coordenação Motora” (f = 7; OME = 2,1), “Agilidade” (f = 7; OME = 1,7), “Saúde” (f = 6; OME = 2,0), “Arte” (f = 4; OME = 2,8), “Prática” (f = 4; OME = 2,5), “Atividade Física” (f = 4; OME = 2,5), “Essencial” (f = 4; OME = 1,5), “Roda” (f = 3; OME = 3,2) “Lutas” (f = 3; OME = 2,7) e, por fim “Jogos” (f = 3; OME = 1,3). Esse quadrante dá aporte à periferia ou aos pontos centrais de um subconjunto dentro do grupo. Esses conceitos são importantes na pesquisa, pois são palavras que se enquadram nesse setor com evocações nas primeiras posições, porém, apesar de serem destacadas, não foram evocadas com alta frequência.

As palavras aqui analisadas foram categorizadas para facilitar a descrição, subdivididas em três categorias, são elas: “Cultura de Movimento” (necessidade, essencial e prática), “Desenvolvimento Corporal” (agilidade, coordenação motora, ginga, atividade e saúde) e “Prática Educativa” (roda, lutas, jogos e arte). Essas palavras são importantes por serem evocadas nas primeiras posições, todavia não representam a maioria do grupo.

A categoria “Desenvolvimento Corporal” fica visível novamente nesse quadrante, firmando a associação da capoeira às qualidades físicas. Uma palavra que se diferencia nesta categoria é a “Ginga”, enriquecendo, portanto, esse quadrante, pois é uma característica específica da capoeira. Nascimento (2019) associa a ginga a um dispositivo e afirma que ele é capaz de mobilizar partes distintas do corpo, reunindo energias que conferem destreza e habilidades camaleônicas aos participantes, o que significa movimentos peculiares e transformadores. Nas narrativas dos professores, a ginga é associada à brincadeira, à alegria, ao movimento e até mesmo à inclusão pelo movimento. Assim, destacamos a visão da ludicidade na palavra “Ginga”, referente ao ensino da capoeira na escola.

A categoria “Cultura de Movimento” traz nas narrativas dos professores a importância da prática da capoeira na escola, apresentando-a como essencial para o desenvolvimento do aluno nos aspectos afetivo, cognitivo e psicomotor. Ao que poderia ser malandreado e desorganizado, aparece agora de forma ordeira e importante. Os participantes da pesquisa compreendem a importância cultural, organizacional e a prática da capoeira na escola, isso devido ao reconhecimento das possíveis melhoras individuais e coletivas manifestadas pelos estudantes.

Abrão e Figueiredo (2011) descrevem que a capoeira na educação não pode ser tratada somente como um simples jogar de pés, uma vez que o tema traz conceitos históricos, fundamentos das lutas, ensino de canções, brincadeiras musicadas, jogos e proporciona vivências de elementos diferenciados. Ainda sobre a categoria “Cultura de Movimento”, Triani e Novikoff (2020) pontuam que esse conhecimento vai sendo construído ao longo do tempo, sendo marcado pela linguagem sensível, que emerge do corpo e é revelado no movimento, abarcando os aspectos biopsicossociais.

A categoria “Prática Educativa” envolve projetos que dão qualidade ao processo de ensino aprendizado e contribuem para o desenvolvimento dos alunos. Zabala (2010) conceitua prática educativa como um conjunto de ações e atividades que visam proporcionar aos indivíduos conhecimentos e experiências culturais, de modo a que possam atuar e transformar a sociedade.

Santos e Melo (2023, p. 140) afirmam que o ensino da capoeira é

 

[...] uma prática educativa que possui potencial para o desenvolvimento das capacidades formativas multidisciplinares, que autonomizam seus praticantes para atuação em diferentes situações sociais que requerem destreza e habilidade corporal, cultural e intelectual.

 

Portanto, o estudo das representações sociais identifica o que há de senso comum, e a prática educativa é a proposta da mudança ou permanência do que é funcional.

Ainda na análise prototípica, o quarto quadrante ou segunda periferia, localizado na parte inferior direita do Quadro 1, apresenta alguns elementos como: “Música” (f = 8; OME = 4,1), “Educação” (f = 6; OME = 4,2), “Conhecimento” (f = 6; OME = 4,2), “Habilidades Físicas” (f = 6; OME = 4,0), “Preconceito” (f = 4; OME = 3,0), “Jogo” (f = 4; OME = 3,0), “Musicalidade” (f = 3; OME = 2,0), “Formação” (f = 3; OME = 3,0), “Consciência Negra” (f = 3; OME = 3,0), “Flexibilidade” (f = 3; OME = 4,0), “Desenvolvimento Motor” (f = 3; OME = 4,0), “Patrimônio Cultural” (f = 3; OME = 3,7), e por fim “Regras” (f = 3; OME = 3,3).

Podemos observar que as palavras foram respondidas tardiamente e foram pouco evocadas. Assim, nas últimas posições, constrói a ideia na segunda periferia, com pensamentos para o grupo, porém individualizado. As palavras que aparecem nesse quadrante não compõem o senso comum. Agora fica a pergunta, se o indutor foi a capoeira na escola, porque a palavra “educação” teve sua evocação somente no quarto quadrante? Os pesquisados justificam a palavra em destaque ao desenvolvimento do conhecimento e não à educação como estrutura de ensino, logo interligando-se a conceitos próximos, como “conhecimento”, “formação”, “patrimônio cultural” e “regras”. Todas corroboram o desenvolvimento do aluno.

Além da Análise Prototípica, este estudo também produziu uma Análise de Similitude, a fim de dar continuidade às análises desenvolvidas até aqui e dar mais qualidade e densidade analítica ao estudo. De acordo com Sá (1996), a Análise de Similitude tem por finalidade verificar as conexões que um elemento da estrutura das representações sociais mantém com outros elementos da estrutura. As relações entre as palavras e o seu nível de conexão podem ser usadas para confirmar a centralidade dos elementos nucleares das representações sociais. Em sua estrutura sem ciclo, em forma de sinapse, os itens do corpus textual e as ramificações apresentam a árvore de similitude. Como representação gráfica, a árvore relaciona à similaridade entre os elementos da estrutura das representações sociais, mostrando os elementos do sistema central e periférico, identificando, assim, visualmente a centralidade dos elementos das representações sociais, a partir das evocações.

Ao visualizar a Figura 1, podemos relacionar as palavras e o seu nível de conexão, apresentadas em cada contexto, mostrando a estrutura do pensamento do grupo. Com base na análise, é possível identificar como os professores, participantes do estudo, ligam os elementos no interior da estrutura das representações sociais sobre o ensino da capoeira na escola. A análise de similitude mostra os cognemas presentes no quadro de quatro casas e como se relacionam, conforme as evocações acerca do termo indutor “ensino da capoeira na escola”.

 

Figura 1. Árvore máxima de similitude das evocações dos professores de Educação Física de Guarapari- ES sobre o ensino da capoeira na escola

Fonte: Elaboração própria

 

Na Figura 1, vemos as evocações dentro dos vértices: quanto maior a circunferência, maior a frequência que essa palavra foi evocada. Nesse caso, a palavra “Cultura” foi a mais evocada (f= 19), aparecendo com o maior tamanho. As linhas que ligam os vértices são chamadas de arestas e quanto maior sua espessura maior o nível de conexão entres aqueles termos.

A análise de similitude proporciona uma visão ampla da estrutura das representações sociais e destaca o núcleo central, sendo possível observar ao mesmo tempo os termos evocados com baixa frequência e os de frequência alta. Logo, confirma a centralidade dos elementos representacionais identificados pela Análise Prototípica. Tinti, Barbosa e Lopes (2021) afirmam que a análise de similitude possibilita verificar as ligações existentes entre as palavras do corpus textual por meio de grafos, mostrando a quantidade de palavras e as frequências médias. Assim, a análise de similitude é uma apresentação que viabiliza ao pesquisador identificar concorrências e ligações entre as palavras, possibilitando que seus resultados auxiliem o pesquisador a identificar a estrutura de um corpus textual.

A Figura 1 mostra vértices com várias ramificações, formando grupos destacados por diferentes cores. A configuração ilustrada na Figura 1 indica que, com base na espessura das linhas, a palavra “Cultura” apresenta uma forte conexão com os principais termos: “Dança”, “História”, “Expressão cultural” e “Luta”. Essa configuração significa que, para os professores de Educação Física, a palavra “Cultura” está em destaque, devido à representatividade da capoeira na história do Brasil, representando a cultura afro-brasileira e sua importância na prática educativa.

Os resultados apresentados corroboram a pesquisa feita por Ponso e Araújo (2014), na qual apresentam uma leitura da valorização da cultura afro-brasileira, do resgate das origens étnicas e do fortalecimento da identidade cultural. No estudo em tela, com base na leitura feita por meio da árvore de similitude, a “Cultura” está ligada à “História” do Brasil e, para que haja um aprendizado, é importante primeiramente o conhecimento da capoeira e de propostas, pedagógicas que dialoguem com a comunidade escolar, e da criatividade do professor.

Pereira (2019) identificou que os professores que têm iniciativa de ministrar a capoeira nas aulas, embora já tivessem tido experiências anteriores, mesmo assim precisam ultrapassar uma barreira cultural para inseri-la na escola. Um dos preconceitos vem da questão da religião, pois ela é associada a religiões de matriz africana, seja pelo gingado, seja pelos instrumentos de percussão e seus cânticos.

Outras evocações se ligam à “Cultura”, são elas: “Dança” (f = 11), “Expressão Cultural” (f = 8) e “Lutas” (f = 6). Percebemos que a capoeira está ligada à dança, pois o seu gingado está conectado à música tocada e cantada, promovendo um espetáculo, com valências físicas peculiares. Em outro ponto de vista, a capoeira é jogada por dois participantes dentro de uma roda, onde seu rito os coloca um a frente do outro, em sintonia, em um jogo de que se entrelaçam, podendo atacar, esquivar, defender ou somente jogar. Com isso, baseado nas respostas dos professores entrevistados, a capoeira é uma luta, porém, apresentada dentro das suas variações, podendo ter sua representatividade mudada, onde o que era luta se torne somente uma dança. Para fundamentar a análise, Zonzon (2011) associa a capoeira a um reino de malícia de habilidades para discernir, desvendar a ilusão, ver e ser visto, engajar-se no fluxo do espaço e tempo, por final, imbricar seu corpo físico, seus sentimentos no fluxo do mundo.

Ao operar a análise da árvore de similitude, foi possível notar que os professores de Educação Física associam o ensino da capoeira na escola aos aspectos culturais. Callai, Becker e Sawitzki (2019) descrevem que a Educação Física na escola tem a finalidade de ensinar sobre a cultura corporal, na qual as práticas corporais promovem um tipo de conhecimento particular e significativo, que tenha sentido para os diferentes alunos e grupos sociais. Uma vez que cada prática corporal compõe uma unidade temática, e a capoeira pode ser integrada em quase todas elas, ela possibilita experiências sociais, estéticas, emotivas e lúdicas, através da expressão corporal.

Enfim, as representações sociais dos professores de Educação Física que atuam no Ensino Fundamental de Guarapari (ES) sobre o ensino da capoeira na escola estão associadas à cultura e ao exercício de capacidades físicas. Então, no senso comum do grupo de professores, a capoeira reafirma sua relevância cultural e histórica como símbolo de resistência e identidade afro-brasileira.

 

Considerações finais

 

A pesquisa investigou as representações sociais de professores de Educação Física sobre o ensino da capoeira na escola. A investigação foi conduzida, utilizando a abordagem estrutural da Teoria das Representações Sociais, mais especificamente a Teoria do Núcleo Central. Desse modo, o estudo identificou como Núcleo Central das representações sociais sobre o ensino da capoeira na escola associações com a cultura, com valores pedagógicos e com o desenvolvimento de capacidades físicas.

A cultura, na perspectiva das representações sociais, foi a associação mais significativa, quando se trata de ensino da capoeira na escola. Ela foi justificada como símbolo da identidade cultural brasileira e herança histórica. Associações com Disciplina também foram observadas na pesquisa, estando ela relacionada tanto ao autocontrole quanto à organização. Além disso, houve associações do ensino da capoeira na escola ao Movimento, elemento que se destacou pelo desenvolvimento corporal de habilidades psicomotoras.

Os resultados da pesquisa evidenciam a capoeira como um meio de promover o desenvolvimento integral dos alunos, associando-a à saúde, à socialização e à formação de identidade cultural. Além disso, destaca-se como um espaço de resistência ao racismo e à desigualdade social, contribuindo para a autonomia dos indivíduos. A prática da capoeira vai além do conteúdo teórico, sendo vivenciada e sentida principalmente em sua prática nas rodas de capoeira, o que reforça sua importância no ensino e no desenvolvimento dos alunos dentro e fora da escola.

A investigação aqui realizada também trouxe indícios de representações sociais da capoeira em sua trajetória, desde a marginalização até sua inclusão nas escolas. Criada por africanos escravizados no Brasil, inicialmente ela foi marginalizada e associada à violência, mas, ao longo do tempo, passou a ser reconhecida como um elemento cultural valioso. Sua inserção nas escolas, especialmente após a década de 1930, foi acompanhada por mudanças nas representações sociais sobre a prática, que começaram a relacioná-la mais ao esporte e à cultura brasileira do que à criminalidade. Essas representações desempenham um papel fundamental na formação do conhecimento e nas relações sociais, sendo moldadas por interações e influências culturais, históricas e sociais, contudo o preconceito e o racismo ainda são bem significativos na sociedade.

A educação, enquanto ferramenta de transformação, deve considerar essas representações para promover um aprendizado eficaz e inclusivo. Muito embora a LDB, criada em 1996, tenha permitido e incentivado a introdução da história e da cultura afro-brasileira nos currículos escolares, incluindo a capoeira, ainda há desafios na aplicação efetiva desse conteúdo nas escolas.

A Teoria das Representações Sociais forneceu um caminho teórico e metodológico para estudar o ensino da capoeira na escola. Contudo, mais pesquisas que abordem esse tema se fazem necessárias, pois nesta pesquisa identificamos produções de trabalhos acadêmicos que deixaram lacunas a serem respondidas e propostas a serem discutidas. Logo, é preciso de mais pesquisas aprofundadas para uma melhor compreensão dos resultados aqui apresentados.

A investigação contínua no âmbito das representações sociais e das práticas pedagógicas, envolvendo a capoeira na Educação Física escolar, é essencial, para acompanhar as transformações na sociedade, incluindo questões ligadas ao racismo e ao preconceito. Assim convido os estudiosos a avançarem nesse campo, aprofundando a análise das representações sociais, examinando o papel dos docentes, discentes e graduandos em Educação Física, bem como propondo intervenções didáticas inovadoras que fomentem as práticas da capoeira na Educação Física, contribuindo com a formação humana.

 

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SOBRE OS AUTORES

 

Romulo Lyra Lopes. Mestre em Educação pela Universidade Estácio de Sá; Docente da Secretaria Municipal da Educação, Guarapari - ES, Pesquisador do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Representações Sociais na/para Formação de Professores - LAGERES.

 

Contribuição de autoria: conceituação, investigação, metodologia e redação do manuscrito original.

 

Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/9367609214614949

 

Felipe da Silva Triani. Doutor em Ciências o Exercício e do Esporte pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro; Docente do Programa de Pós-Graduação em Educação da UNESA, Líder do LAGERES e bolsista Jovem Cientista do Nosso Estado - FAPERJ.

 

Contribuição de autoria: supervisão, validação de dados e redação.

 

Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/6974478230916756

 

 

AUTODECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS E PROCEDIMENTOS ÉTICOS

O estudo contou com aprovação em Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos. Todos os participantes preencheram o TCLE, conforme descrito na metodologia do estudo. Não foram utilizadas ferramentas de IA na elaboração do texto.

 

 

Recebido em: 13.02.25

Aceito em: 13.12.25

Publicado em: 11.05.26



[1] Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro, RJ, Brasil; romulolyra.ef@gmail.com

[2] Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro, RJ, Brasil; felipetriani@gmail.com