BALANÇO DE PESQUISAS EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DE GOIÁS (1986 A 2024)
SUMMARY OF RESEARCH IN THE HISTORY OF EDUCATION IN GRADUATE PROGRAMS IN GOIÁS (1986 TO 2024)
RESUMEN DE LA INVESTIGACIÓN SOBRE LA HISTORIA DE LA EDUCACIÓN EN LOS PROGRAMAS DE POSGRADO DE GOIÁS (1986 A 2024)
Fernanda Barros[1], https://orcid.org/0000-0003-2678-9591
Resumo:
Este texto analisa a produção em História da Educação nos programas de pós-graduação de Goiás, no período de 1986 a 2024. A problemática consiste em compreender o modo como a produção na área se manifesta nas dissertações e nas teses dos programas. A metodologia envolveu a coleta de informações referentes a títulos, autores, data de defesa, orientadores e palavras-chave. Esses dados foram compilados, propiciando uma visão panorâmica e possibilitando análise quantitativa e qualitativa da produção desde a criação do primeiro programa na Universidade Federal de Goiás, em 1986. Os resultados indicam que a produção acadêmica em Goiás é significativa, embora ainda haja espaço para ampliação das possibilidades de pesquisa em História da Educação no estado.
Palavras-chave: educação; produção; pós-graduação; Goiás; História da Educação.
Abstract:
This article examines the scholarly output in the History of Education field across graduate programs in the state of Goiás, Brazil, spanning the period from 1986 to 2024. The central research problem consists in understanding how production in this area is manifested in the dissertations and doctoral theses generated by these programs. The methodology involved the systematic collection of bibliographic data, including titles, authors, defense dates, supervisors, and keywords. These data were compiled to provide a panoramic overview, enabling both quantitative and qualitative analysis of scholarly output since the establishment of the first graduate program at the Universidade Federal de Goiás in 1986. The findings indicate that academic production in Goiás is substantial; nevertheless, considerable scope remains for the expansion of research possibilities in the History of Education within the state.
Keywords: education; production; graduate studies; Goiás; History of Education.
Resumen:
Este artículo examina la producción académica en el campo de la Historia de la Educación en los programas de posgrado del estado de Goiás, Brasil, durante el período comprendido entre 1986 y 2024. El problema central de investigación consiste en comprender el modo en que la producción en dicha área se manifiesta en las disertaciones y tesis doctorales generadas por estos programas. La metodología implicó la recolección sistemática de datos bibliográficos, que incluyen títulos, autores, fechas de defensa, directores de investigación y palabras clave. Estos datos fueron compilados con el propósito de ofrecer una visión panorámica, lo que permitió realizar un análisis tanto cuantitativo como cualitativo de la producción académica desde la creación del primer programa de posgrado en la Universidade Federal de Goiás en 1986. Los resultados indican que la producción académica en Goiás es significativa; no obstante, aún existe un considerable margen para la ampliación de las posibilidades de investigación en Historia de la Educación en el estado.
Palabras clave: educación; producción; estudios de posgrado; Goiás; Historia de la Educación.
Introdução
Este texto é fruto da mesa-redonda intitulada “A História da Educação na pós-graduação: um balanço de novos pesquisadores”, realizada durante o VII Encontro de História da Educação do Centro-Oeste (EHECO), promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Cuiabá entre os dias 22 e 24 de maio de 2024.
A mesa foi coordenada pela Professora Etienne Baldez Lousada Barbosa e contou com a participação da autora deste texto, Fernanda Barros, além dos professores Eurize Caldas Pessanha e José Carlos Souza Araujo. As discussões tiveram como base a produção acadêmica na área de História da Educação e o que tem sido produzido no âmbito dos programas de pós-graduação da Região Centro-Oeste.
Nesse sentido, o texto tem como objetivo analisar o que foi produzido em História da Educação nos programas de pós-graduação goianos, desde o primeiro programa criado na Universidade Federal de Goiás (UFG), em 1986, até o mais recente, do Instituto Federal Goiano (IF Goiano), criado em 2023. O estado de Goiás compõe geograficamente a Região Centro-Oeste, juntamente com os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal – e, para a Associação Nacional de Pesquisa em Educação (ANPEd), a região do Triângulo Mineiro também compõe a Região Centro-Oeste.
A pesquisa buscou inventariar, mapear e avaliar o conhecimento produzido e publicado em Goiás. A análise quantitativa dos dados coletados foi produzida de forma crítica, com o intuito de contribuir para a continuidade da produção em História da Educação ao longo do século XX e início do século XXI.
Nos últimos anos, a História da Educação tem trabalhado com diversos enfoques teóricos e promovido uma reflexão sobre os rumos das investigações. Para Saviani (2008), a pesquisa em História da Educação no Brasil passou por transformações significativas a partir dos anos 1980, quando se consolidaram grupos e linhas de pesquisa que passaram a questionar as abordagens positivistas tradicionais, incorporando perspectivas da história social e cultural e das ideias pedagógicas. Assim como em outras áreas, tem havido uma crescente preocupação com a divulgação desse conhecimento, visando aprimorar o processo de compreensão da realidade e, consequentemente, a capacidade de intervenção sobre ela. Dessa forma, esse direcionamento tem impulsionado as pesquisas, e os resultados são extremamente promissores, pois promovem a ampliação da divulgação da produção acadêmica.
A História da Educação é uma área em constante desenvolvimento, e as pesquisas realizadas revelam diferentes objetos. A diferenciação, tanto de objetos quanto de perspectivas analíticas, foi incorporada pela História da Educação, em grande parte devido à nova estruturação do campo da História. Nesse sentido, Nunes e Carvalho (1993) observam que o crescimento quantitativo das pesquisas em História da Educação no Brasil, a partir dos anos 1980, não foi acompanhado de igual aprofundamento teórico-metodológico, o que impõe, aos balanços historiográficos, a tarefa de avaliar não apenas o quanto se produziu, mas também o modo como essa produção se estrutura e se orienta.
O fato é que a historiografia da educação também é sujeita à concorrência entre paradigmas, no sentido que foi dado ao termo por Thomas Kuhn. Hoje a tendência da história cultural vem perdendo fôlego. Há uma retomada da história política, a história das ideias pedagógicas se reinventou sob a rubrica de história do pensamento educacional, a história da profissão-professor, que desde os anos 80, com o trabalho de Denice Catani se constelava, a história dos intelectuais e, por último, porque é, até onde eu sei, a corrente que mais recentemente se desenvolveu, a história transnacional da educação. Nesse caso, estamos diante de um novo paradigma emergente, que projeta a dimensão das fronteiras em educação, a partir de novas escalas e novas referências. Nesse sentido, não se trata de uma história internacional, porque, nesse caso, a dimensão do nacional se mantém. Trata-se, isso sim, de transcender a perspectiva da nação para trazer o foco para outras tangências que abarcam o objeto (Boto, 2021, p. 30-31).
A perspectiva apontada por Boto dialoga com o que Gondra e Schueler (2008) denominam de pluralidade de abordagens na história da educação brasileira contemporânea; e evidencia que o campo se renova continuamente ao incorporar novos objetos, sujeitos e escalas de análise. Esse diagnóstico é especialmente relevante quando pretendemos, como no presente texto, realizar um balanço regional da produção acadêmica, pois permite situar as tendências locais em relação ao movimento mais amplo da área no País.
Para a produção deste texto, foi realizado um levantamento com o objetivo de compreender a maneira como a produção em História da Educação aparece nos programas de pós-graduação em Educação de Goiás, desde a criação do primeiro programa em 1986, na UFG, até 2024. A busca foi realizada nas páginas dos programas das sete instituições de Ensino Superior do estado, e foram identificados oito programas de Educação. Ao realizar este levantamento, notamos que existem grupos de pesquisa em História da Educação no estado, que, de alguma forma, abordam essa temática, seja no nome do grupo, seja em suas linhas de pesquisa.
Após a identificação dos programas, a pesquisa foi iniciada na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações[2] (BDTD) e na Plataforma Sucupira[3] da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), com o objetivo de localizar os repositórios institucionais e as produções de dissertações e teses. Esse processo revelou um entrave, pois nem todas as produções estavam listadas nos repositórios. Isso exigiu que a busca fosse retomada nas páginas dos programas e realizada manualmente, sem o uso de descritores específicos para identificar as produções em História da Educação.
Na primeira parte do texto, apresentamos o levantamento de informações sobre a pós-graduação em Educação no estado de Goiás, situando-o na Região Centro-Oeste. Os dados foram coletados na Capes, por meio da Plataforma Sucupira, onde estão disponíveis informações sobre cursos, programas, periódicos, avaliação quadrienal e o sistema Qualis, com algumas informações restritas às universidades.
Na segunda parte do texto, foram analisados os dados coletados, levando em consideração as produções finais dos cursos de mestrado e doutorado e destacando as dissertações e as teses na área de História da Educação. As lacunas identificadas, as contradições e os vieses na divulgação das produções, até então observados, serão de grande valia para a análise e, sobretudo, para fornecer elementos que contribuam para novos estudos e o avanço do conhecimento.
Goiás no contexto da Região Centro-Oeste: a pós-graduação
O estado de Goiás faz parte da Região Centro-Oeste brasileira e possui território de 340.242,859 km² e população residente de 7.056.495 pessoas (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE], 2022). Há 246 municípios no estado.
Em relação à pós-graduação, o estado de Goiás faz parte do cenário nacional, organizado e avaliado pela Capes.
No Quadro 1, a seguir, estão representados os dados sobre a pós-graduação no Brasil, por região e tipo de curso, de todas as áreas do conhecimento.
Quadro 1 – Programas de pós-graduação no Brasil – 2024
|
Região |
Total |
% aproximada sobre o total do País |
ME |
DO |
MP |
DP |
ME/DO |
MP/DP |
Cursos |
% sobre o total do País |
|
Centro-Oeste |
408 |
8,75% |
135 |
5 |
62 |
1 |
198 |
7 |
613 |
8,38%
|
|
Nordeste |
980 |
21,03% |
356 |
14 |
150 |
2 |
439 |
19 |
1.438 |
19,65% |
|
Norte |
319 |
6,84% |
132 |
8 |
53 |
1 |
112 |
13 |
444 |
6,07% |
|
Sudeste |
1990 |
42,69% |
329 |
36 |
349 |
2 |
1227 |
47 |
3.264 |
44,61% |
|
Sul |
965 |
20,69% |
241 |
11 |
120 |
0 |
558 |
35 |
1.558 |
21,29% |
|
Totais |
4.662 |
100% |
1.193 |
74 |
734 |
6 |
2.534 |
121 |
7.317 |
100% |
Fonte: Plataforma Sucupira (2024)
Legenda: ME – mestrado, DO – doutorado, MP – mestrado profissional, DP – doutorado profissional
Segundo os dados da Capes, disponibilizados na Plataforma Sucupira (2024), o Brasil possui, em 2024, 4.662 programas de pós-graduação em nível de mestrado e doutorado, acadêmicos ou profissionais. No Centro-Oeste, com seus 3 estados – Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, mais o Distrito Federal –, existem 408 programas e 613 cursos de pós-graduação.
Tais dados revelam que a Região Centro-Oeste ocupa posição intermediária no cenário nacional de pós-graduação: embora esteja à frente apenas da Região Norte em termos absolutos, seu crescimento nas últimas décadas é expressivo. Conforme Morosini et al. (2011), a expansão da pós-graduação brasileira a partir dos anos 2000 foi marcada por uma desconcentração geográfica relativa, com aumento de programas em regiões historicamente periféricas, processo no qual o Centro-Oeste se insere de forma gradual. A partir dos dados da Capes, detalhados para consulta por universidade, foram identificados na região Centro-Oeste 20 programas de pós-graduação em Educação e 30 cursos, entre mestrados e doutorados, acadêmicos e profissionais.
A existência desses 20 programas coloca a região no cenário nacional de formação de recursos humanos para a educação brasileira e para a produção de conhecimento na área. Para Saviani (2000), a institucionalização da pesquisa educacional no Brasil está diretamente vinculada à consolidação dos programas de pós-graduação, que constituem o locus privilegiado de produção e divulgação do conhecimento científico em Educação. Nesse sentido, as publicações desses programas movimentam a produção na área da Educação e, especificamente, em História da Educação, tanto ao divulgar produtos dos seus próprios docentes e discentes quanto ao receber contribuições de pesquisadores de outros programas nacionais e internacionais.
O cenário de produção acadêmica, de recursos humanos e de construção de conhecimento em Educação e, por conseguinte, em História da Educação é relevante em Goiás e pode ser ampliado. A presença da área nesse estado é uma constatação que não pode ser baseada apenas na quantidade de textos, é necessário considerar também a qualidade, a diversidade temática e a continuidade das linhas de pesquisa. Nesse sentido, Catani e Sousa (2001) alertam de que os balanços historiográficos devem ser analíticos e não meramente quantitativos, pois a simples contagem de trabalhos não informa sobre as perspectivas teóricas predominantes, as lacunas temáticas ou a inserção do campo no debate nacional.
Isso posto, a atmosfera de colaboração entre os pesquisadores que ora se dedicam à pesquisa na Faculdade de Educação da UFG parece profícua no sentido de articular os interesses daqueles que se voltam aos estudos sobre História da Educação. O desenvolvimento das pesquisas da área, ao longo do tempo, examinou o movimento pelo qual se dilatam as ideias pedagógicas, os sistemas de ensino, as instituições educativas, a formação e atuação de professores, as realidades educacionais em cada tempo, assim como as decisões, diretrizes e ações adotadas pelos governos na direção de regular os sistemas educacionais, além de tantas outras relações.
Esse duplo movimento – de revisão teórica e ampliação das fontes – é apontado por Lopes e Galvão (2001) como condição para o amadurecimento do campo, que deve avançar para além do levantamento das produções em direção à interpretação histórica fundamentada.
Na área da História da Educação é preciso, por um lado, repensar os problemas colocados como estimuladores da pesquisa e os eixos teóricos que direcionam a análise e, por outro, buscar nova documentação, diferentes indicadores ou, pelo menos, novos ângulos de visão sobre o que existe.
A produção da pós-graduação em Goiás: a História da Educação em destaque
O mapa a seguir, inserido na Figura 1, apresenta Goiás, em sua posição geográfica. Historicamente, é uma região rica culturalmente, apesar de ter perdido uma parte de seu território para a criação do estado de Tocantins, em 1988. Quando estudamos o período anterior a essa data, vemos que Goiás possuía um território muito maior.
Um aspecto importante sobre o estado de Goiás é que a criação de escolas e universidades sempre esteve concentrada na região centro-sul do estado, como podemos ver no mapa pelas áreas destacadas. As cores indicam as cidades onde estão localizados os programas de pós-graduação. Em vermelho, no centro do estado, está Goiânia, a capital. Mais ao sudoeste, em uma tonalidade mais clara, temos Catalão, que também possui um programa de pós-graduação. Perto de Goiânia, vemos Anápolis e Inhumas, duas cidades próximas, a cerca de 50 km de Goiânia, ambas com programas de pós-graduação na área da Educação. A oeste, em amarelo, está Jataí, que também oferece um programa de pós-graduação.
Essa configuração espacial dialoga com o que Tischer e Turnes (2004) denominam de “desconcentração relativa da Pós-graduação”, fenômeno pelo qual as cidades com maior infraestrutura urbana concentram desproporcionalmente os equipamentos de Ensino Superior e pesquisa, reproduzindo desigualdades regionais.
Não aparece no mapa a informação de que o Ensino Superior está presente em todas as regiões do estado de Goiás, especialmente após a criação da Universidade Estadual de Goiás (UEG), que atualmente atende a 32 municípios. Esses municípios estão estrategicamente localizados de norte a sul do estado e proporcionam a formação de professores e outros profissionais do Ensino Superior.
Visualmente a produção de dissertações e teses em programas de pós-graduação em Educação no estado de Goiás, de acordo com a configuração e distribuição dos cursos em Goiás, apresenta inicialmente a distribuição geográfica – o mapa mostra que a produção de dissertações e teses está concentrada em poucas cidades, na região central e sudeste. Na capital, há a maior quantidade de dissertações e teses produzidas em História da Educação, com 72 trabalhos, e ela é seguida por Catalão, com 50 trabalhos, o que indica uma forte centralização da pesquisa nas maiores cidades e centros universitários do estado.
A disparidade regional fica visível, pois enquanto Goiânia e Catalão apresentam uma produção significativa na área, outras cidades, como Jataí, Inhumas e Anápolis, têm uma produção menor ou inexistente. Ademais, há a ausência de produção e de programas no norte de Goiás. Inserimos, então, a seguir, a Figura 1.
Figura 1 – Produção dos programas de pós-graduação em História da Educação em Goiás

Fonte: dados da autora[4]
Essa visualização geográfica da produção acadêmica em História da Educação é valiosa para identificar padrões de desenvolvimento da pesquisa, possíveis lacunas regionais e centros de excelência no estado de Goiás. Ela pode ser útil para planejamento educacional e políticas de fomento à pesquisa e para entender a dinâmica da produção de conhecimento nessa área específica no estado. Conforme Cury (2004), as políticas de expansão da pós-graduação precisam levar em conta as desigualdades regionais para promover uma distribuição mais equânime da produção do conhecimento no território nacional; o caso goiano evidencia que, mesmo no interior de um estado, essa assimetria se reproduz.
A seguir, na Figura 2, o organograma demonstra um panorama das cidades e das universidades que possuem programas de pós-graduação em Educação no estado de Goiás.
Figura 2 – Programas de pós-graduação em Educação - Goiás

Fonte: Plataforma Sucupira
No lado esquerdo, temos a Faculdade de Inhumas (FACMAIS), uma instituição particular na cidade de Inhumas, que oferece um programa de mestrado. Logo abaixo, está a UEG, com dois programas de Educação em duas cidades. Todos esses programas são acadêmicos. Anápolis, por exemplo, possui um programa de pós-graduação interdisciplinar em Educação, Tecnologias e Cultura, também em nível de mestrado. Já o Instituto Federal de Goiás (IFG), em Goiânia, oferece um programa de mestrado.
O IFG, assim como a UEG, é uma instituição multicampi, e há dois Institutos Federais no estado: o IFG e o IF Goiano, que ainda não possui um programa de pós-graduação em Educação. O IF Goiano foi criado em 2013, na segunda fase de expansão dos Institutos Federais, e atende principalmente ao interior do estado, com destaque para a região norte.
No lado direito do organograma, temos outras universidades: a UFG, com sede em Goiânia, que oferece mestrado e doutorado em Educação; a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), que também oferece mestrado e doutorado. A PUC-GO surgiu quase ao mesmo tempo que a UFG: essas universidades foram criadas em 1965 e 1966, respectivamente. Já a Universidade Federal de Catalão (UFCat) e a Universidade Federal de Jataí (UFJ), que se tornaram independentes da UFG em 2018, também possuem programas de mestrado em Educação.
Alguns dados e reflexões foram levantados ao longo da pesquisa. A primeira questão que chamou atenção foi a condição de criação desses programas nas instituições. Ao longo do tempo, essas instituições foram ganhando força e disseminando a História da Educação dentro de seus programas.
O programa de mestrado acadêmico da FACMAIS, uma instituição particular em Inhumas, que hoje faz parte da região metropolitana de Goiânia, já contou com a defesa de 97 dissertações até 2023. No entanto, apenas uma dissertação, defendida em 2022, tem tema vinculado à História da Educação. Essa dissertação foi orientada pela professora Cristyane Batista Leal, que não trabalha diretamente com o tema, mas conduziu essa orientação de Stela Melo de Barros, com título Memórias, testemunhos e educação: o percurso da FEB sob a perspectiva de Miled Cury.
Na UEG existem dois programas de pós-graduação em Educação. O primeiro, da unidade de Inhumas, é recente, criado em 2020, com apenas dez dissertações defendidas até 2023. Esse programa tem duas linhas de pesquisa: Trabalho, Estado e Políticas Educacionais; e Cultura, Escola e Formação. Contudo, não há dissertações com temas relacionados à História da Educação e nenhuma das linhas de pesquisa aborda essa temática. Isso reflete uma ênfase maior nas políticas educacionais, sem referência à História da Educação. Além disso, essa ausência também se verifica na falta de grupos de pesquisa vinculados à História da Educação, seja em linhas de pesquisa, seja na própria denominação desses grupos, o que demonstra um foco mais voltado para as políticas educacionais em todo o estado de Goiás. Essa ausência reforça a tendência identificada por Monarcha (2007) de que, nos programas mais recentes e/ou de perfil profissionalizante, a área de História da Educação tende a ser preterida em favor de ênfases em políticas educacionais e práticas pedagógicas, refletindo demandas imediatas do mercado educacional.
Outro programa da UEG é o Programa Interdisciplinar de Educação da Unidade de Anápolis, que, até o momento, não possui dissertações voltadas para a História da Educação. Com 210 dissertações defendidas até 2023, trata-se de um programa relativamente grande. Apesar de recente, destaca-se por ter duas linhas de pesquisa: Educação, Escola, Tecnologias; e Linguagens e Práticas Sociais.
O IFG também não apresenta dissertações relacionadas à História da Educação. Esse programa, igualmente recente, já defendeu dez dissertações, com outras ainda em andamento. As linhas de pesquisa incluem temas como Políticas Educacionais e Teorias Educacionais e Práticas Pedagógicas, mas, novamente, sem foco na História da Educação.
Já o Programa de Pós-Graduação da UFJ – universidade que fazia parte da UFG até 2018 –, voltado para temas como Cultura, Identidade, Políticas Educacionais e Formação Humana, possui 148 dissertações defendidas. Não há nenhuma dissertação com temática de História da Educação.
A importância de mostrar os programas que não possuem dissertações em História da Educação justifica-se por questões vinculadas à pesquisa histórica e seus métodos. Segundo a perspectiva de autores como Certeau (1982), os silêncios e as ausências também são reveladores, pois ajudam a entender o modo como o campo está estruturado. Todas as instituições mencionadas têm programas de pós-graduação em Educação com mestrados acadêmicos, mas a História da Educação não é um tema central nessas pesquisas. Isso mostra que a pesquisa nessa área está localizada em grupos específicos, concentrados principalmente em Goiânia e Catalão, como veremos a seguir.
A UFCat até 2018 fazia parte da UFG. O Campus de Catalão já tem cerca de 30 anos de atuação e o Programa de Pós-Graduação em Educação foi criado em 2010. Esse programa possui 3 linhas de pesquisa: Políticas Educacionais, História da Educação e Pesquisa Autobiográfica; Práticas Educativas, Formação de Professores e Inclusão; Leitura, Educação e Ensino de Língua Materna e Ciências da Natureza. A UFCat é a única instituição do interior do estado que tem a História da Educação como tema em suas linhas de pesquisa. Ao todo, o programa já defendeu 213 dissertações, das quais 78 estão relacionadas à linha de História da Educação, demonstrando que esse campo ocupa um espaço central na produção acadêmica da instituição. No Quadro 2 estão as 78 produções. Warde (1990) já sinalizava que a institucionalização da pesquisa em História da Educação no Brasil depende fundamentalmente da formação de grupos estáveis de pesquisadores, algo que a UFCat parece ter alcançado de forma mais consistente do que outras instituições goianas.
Quadro 2 – Dissertações defendidas na UFCat
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Ano |
Autor(a) e título |
Orientador(a) |
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2013 |
ROSA, Chaiane de Medeiros. A política de cotas na Universidade Federal de Goiás (UFGINCLUI): concepção, implantação e desafios. |
Ana Maria Gonçalves |
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BARROS, Karla. A. C. Tertuliano de. Educação e “ingênuos” em Goiás 1871-1888. |
Wolney Honório Filho |
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PEIXOTO, Patrícia Rodrigues Luiz. O educandário Nossa Senhora Aparecida–Ipameri-GO (1936-1969). |
Aparecida Maria de Almeida Barros |
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NAVES, Nelsimar José. História e memória do Ginásio Simon Bolívar em Corumbaíba-GO (1956 a 1974). |
Wolney Honório Filho |
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2014 |
MUNIZ, Tamiris Alves. A disciplina ensino religioso no currículo escolar brasileiro: institucionalização e permanência. |
Ana Maria Gonçalves |
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LIMA, Daniel Fernando de. Formação e profissionalização de pedagogas do interior de Goiás a partir de suas biografias educativas. |
Wolney Honório Filho |
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ISSA, Silvia Aparecida Caixeta. A escola agrícola de Urutaí (1953-1963): singularidades da cultura escolar agrícola. |
Aparecida Maria de Almeida Barros |
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2015 |
SILVA, Rubislei Sabino da. A formação docente em Goiás na perspectiva do egresso do curso de licenciatura plena parcelada em pedagogia (2000-2007). |
Wolney Honório Filho |
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SILVA, Michelle Ferreira da. Trajetórias formativas de professores e alunos do curso de história: Catalão de 1991 a 2004. |
Wolney Honório Filho |
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COSTA, Mara Rubia Guardiero. Docência e história de vida no curso técnico em magistério de Catalão-GO. |
Wolney Honório Filho |
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FERREIRA, Ricardo. Estudando na cidade eles querem o quê? Sentidos de escolarização no assentamento Olga Benário de Ipameri-GO. |
Aparecida Maria de Almeida Barros |
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CRUZ, Thimoteo Pereira. Formação do psicólogo(a) em Catalão/GO na perspectiva do egresso – 2007-2014. |
Wolney Honório Filho |
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2016 |
ACOB, Reni Maria. Narrativas sobre o primeiro grupo escolar do município de Ouvidor - GO: 1949-1971. |
Wolney Honório Filho |
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BATISTA, E. R. Trajetórias de professoras negras em Ituiutaba: de normalistas a professoras do ensino fundamental (1965 -1971). |
Ana Maria Gonçalves |
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FRANÇA, Vanessa. Escola especial Santa Clara de Catalão (1982 - 2000). |
Aparecida Maria de Almeida Barros |
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ANDRADE, Fabiana Aparecida de. “Colégio das freiras”: educação feminina no curso normal no sul de Goiás (1939-1968). |
Ana Maria Gonçalves |
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VULCÃO, Maria de Lourdes Sanches. Ensino religioso no Amapá: uma disciplina em construção (2006-2011). |
Ana Maria Gonçalves |
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2017 |
PAISLANDIM, Ivanillian Ferreira. O Instituto Federal de Goiás (IFG) de 1999 a 2014: Narrativas dos servidores técnico-administrativos. |
Wolney Honório Filho |
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SOUZA, Walkíria Vieira do Prado e. A docência em uma escola da ordem Franciscana - Goiandira-Goiás (1960-1970): narrativas de professoras. |
Juliana Pereira de Araujo |
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SANTEE, Rosilene Alves da Silva. “Ginásio de Morrinhos-GO” (1936-1971): instituição católica de ensino secundário. |
Aparecida Maria de Almeida Barros |
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2018 |
FELIPE, Adilson dos Reis. Narrativas de formação de famílias ciganas em Pires do Rio-Go (2000 a 2017). |
Wolney Honório Filho |
|
VAZ, Renata Cristine Santos. Narrativas de “alunas-professoras” sobre o Grupo de Aplicação do C.F.P.P. de Catalão/GO (1964-1983). |
Wolney Honório Filho |
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|
SANTOS, Luara Faria. A educação física no contexto de modernização educacional em Goiás (1929-1937). |
Wolney Honório Filho |
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OLIVEIRA, Rafael Vasconcelos de. Escola Paroquial “João XXIII” de Urutaí-GO (1960-2001). |
Aparecida Maria de Almeida Barros |
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ALVES, Flávia Velloso. Universidade Federal de Goiás - Regional Catalão (UFG/RC) nas narrativas dos servidores técnico administrativos de 1987 a 2015. |
Wolney Honório Filho |
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FONSECA, Cleider Antonio da. Negros nos grupos escolares em Catalão/Go (1923 – 1971). |
Aparecida Maria de Almeida Barros |
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2019 |
NASCIMENTO, Ana Lucia Ribeiro do. Habitus professoral de normalistas em Morrinhos-GO: (1962-1971). |
Aparecida Maria de Almeida Barros |
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SILVA, Fernanda Gonçalves. O curso de Educação Física da UFG regional Catalão na perspectiva do egresso (1990-2005). |
Wolney Honório Filho |
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AVELAR, Lorena Láisse Silva. O curso de Ciências Sociais nas narrativas (auto)biográficas de seus egressos (2009 – 2017). |
Wolney Honório Filho |
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RIBEIRO, Lailton Martins. Professores de matemática em Catalão/GO: história da profissão docente (1971-2015). |
Aparecida Maria de Almeida Barros |
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NASCIMENTO, Nádia Gisele Marques de Souza. A experiência da evasão escolar no Instituto Federal Goiano - Campus Avançado Catalão (2014-2015). |
Wolney Honório Filho |
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SILVA, Bethânia Oliveira. O Instituto Federal Goiano – Campus Urutaí (2008-2019) pelas narrativas de servidores técnico-administrativos. |
Wolney Honório Filho |
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2020 |
ROTA, Daniely Pereira Naves. Estado, república e educação no Brasil: os princípios constitutivos da escola pública no ensino secundário 1889-1910. |
Fernanda Barros |
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BASTOS, Adailton Souza. Escola Técnica de Goiânia: a institucionalização do ensino médio profissional em Goiás de 1942 – 1950. |
Fernanda Barros |
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FRANÇA, Patrícia de Souza Torres. A institucionalização do curso de pedagogia da Universidade Federal de Goiás em Catalão (1988-2003). |
Aparecida Maria de Almeida Barros |
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SILVA, Milene Garcia. A escola Professor Alberto de Morais Holanda em Corumbaíba-GO (1989/2019): o que dizem os pais? |
Wolney Honório Filho |
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SILVA, Marilene Aparecida Santana da. Experiências de formação dos discentes nativos da etnia Xacriabá no IF Goiano Campus Urutaí-GO (2014-2019). |
Wolney Honório Filho |
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2021 |
GUEDES, Amanda Cléscia Rodrigues Guedes. A presença do negro no Lyceu de Goyaz: branqueamento e esquecimento 1906-1930. |
Fernanda Barros |
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RIBEIRO, Anderson Alves. Colégio Polivalente de Araguari-MG (1971-1976): modernização e qualificação técnica. |
Aparecida Maria de Almeida Barros |
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SILVA, Deusniria Maria da Silva. O CEPROFA em Goiandira-GO. (1973-1989): missão e inserção na realidade local. |
Aparecida Maria de Almeida Barros |
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SILVA, Milene Garcia. A Escola Professor Alberto de Morais Holanda em Corumbaíba-Go (1989/2019): o que dizem os pais? |
Wolney Honório Filho |
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2022 |
SILVA, Lucas Lino. O Lyceu de Goyaz no Império: políticas de gastos com o ensino secundário (1848-1886). |
Fernanda Barros |
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CARNEIRO, Neide Abadia. Gymnasio Municipal de Ipamery: a iniciativa particular para o ensino secundário no interior de Goiás (1933-1946). |
Fernanda Barros |
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SANTANA, Thatiany Santos. A mulher no curso técnico em agropecúaria, do IF Goiano - Campus Urutaí / 1979-2020. |
Wolney Honório Filho |
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2023 |
VAZ, Amanda Juliana Costa Vaz. O acervo NEPEDUCA e as fontes para a História da Educação. |
Aparecida Maria Almeida Barros |
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SILVA, Guilhermina Reis da Silva. Normas, regras e rotinas padronizadas no centro de formação dos professores primários de Catalão-GO (1964 – 1982). |
Aparecida Maria Almeida Barros |
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MARINS, Milena Alves Rodrigues de Sousa Marins. A organização da instrução pública em Goiás: a Câmara Municipal de Morrinhos frente os desafios do município. |
Fernanda Barros |
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DIAS, Paula Ferreira. Criação e institucionalização de uma instituição de ensino secundário no município de Goiatuba de 1956 a 1964. |
Fernanda Barros |
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VIVIA, Rodolphe Jacques. Inspiração do ensino secundário da França para o Brasil 1898-1911. |
Fernanda Barros |
Fonte: dados internos do Programa de Pós-Graduação da UFCat (2024)
A PUC-GO, uma universidade particular e confessional, também oferece programas de mestrado e doutorado em Educação. Para quem não está familiarizado com a história de Goiás, é interessante notar que a PUC-GO e a UFG são instituições historicamente rivais, apesar de serem parceiras em muitos aspectos. As duas universidades, por exemplo, compartilham a mesma localização física na Praça Universitária, em Goiânia, o que sempre gera curiosidade entre os estudantes que chegam à cidade.
O Programa de Pós-Graduação da PUC-GO já defendeu 367 dissertações e 124 teses até 2023. No que diz respeito à História da Educação, foram defendidas 10 dissertações e 14 teses dentro da linha de pesquisa Estado, Políticas e Instituições Educacionais. Esse programa é reconhecido por abrigar figuras proeminentes na área, como a Professora Zeneide Carneiro, que ainda atua no programa; e o professor José Maria Baldino. Esses professores colaboraram intensamente na orientação de dissertações e teses, contribuindo para a consolidação da História da Educação na PUC-GO. Segundo Carvalho (2000), a articulação entre grupos de pesquisa e linhas de pós-graduação é um fator estruturante da produção em História da Educação, na medida em que garante continuidade temática e adensamento metodológico às investigações. O Quadro 3 mostra as dissertações e teses defendidas na PUC-GO.
Quadro 3 – Dissertações e teses defendidas na PUC-GO
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Ano |
Dissertação |
Orientador(a) |
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2016 |
JESUS, Nívea Oliveira Couto de. Escola Municipal Rural Água Mansa Coqueiros em Rio Verde: história e memória. |
Maria Zeneide Carneiro Magalhães de Almeida |
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2017 |
SILVA, Giselle Lourenço de Sousa. O pensamento educacional de Cecília Meireles. |
Elianda Figueiredo Arantes Tiballi |
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LEAL, Dllane de Souza Dias. História e memória da ditadura militar: sentidos atribuídos por adultos e jovens do município de Barreiras-BA. |
Aldimar Jacinto Duarte |
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2018 |
DIAS, Jane Marciane Alves. Práticas pedagógicas do Instituto de Educação de Goiás no período militar – 1964/1984. |
Elianda Figueiredo Arantes Tiballi |
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MARTINS, Luciana da Silva. A participação da intelectual Amális Hermano Teixeira no Movimento escolanovista em Goiás – 1937 a 1963. |
Elianda Figueiredo Arantes Tiballi |
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2021 |
DIAS, Jocivannia Maria de Sousa Nobre. Educação, história e memórias da temática violência nos espaços escolares: um estudo do projeto "Esquadrão Sou do Bem" (Macapá-AP, de 2015 a 2019). |
José Maria Baldino |
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2021 |
PEREIRA, Arleth Barbosa Ferreira. Acervo de escolas extintas de Goiânia (1947-2019). |
Maria Zeneide Carneiro Magalhães de Almeida |
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2021 |
COSTA, Fábio Alves da. História e memória das escolas rurais: a educação de jovens e adultos no município de Santana do Araguaia/PA. |
Maria Zeneide Carneiro Magalhães de Almeida |
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2023 |
GROSS, Daniele Gonçalves Lisbôa. História dos professores de educação física do ensino médio de Gurupi - TO e sua relação com as práticas pedagógicas atuais.
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José Maria Baldino |
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2010 |
FERREIRA, Adegmar José. O intelectual do Direito formado no terceiro quartel do século XX: o significado de sua atuação profissional em Goiás. |
Maria de Araujo Nepomuceno |
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2011 |
LEITE, Maria das Graças Simão Dias. Instrução pública na Província de Goyaz: discurso e memória histórica. |
Glacy Queirós de Roure |
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2013 |
CASTRO, Rosangela Nunes almeida de. A engenharia elétrica na Universidade Federal de Goiás: reconstrução histórica do curso (1948-2012). |
José Maria Baldino |
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2013 |
CASTRO, Raimundo Márcio Mota de. História e Memórias do Ensino Religioso na Escola Pública: lembranças de tempos discentes e docentes. |
José Maria Baldino |
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2013 |
BORGES, Silvana Maria Sandoval. Os Tapuio do Carretão/GO: uma reflexão sobre sua história e a educação escolar – memórias e experiências. |
Glacy Queirós de Roure |
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2016 |
ALENCAR, Cristiene de Paula. Manifesto dos pioneiros da Educação Nova de 1932 no Brasil: o acontecimento, o discurso e os dispositivos de verdade. |
José Maria Baldino |
Fonte: BDTD
A UFG é uma instituição federal criada 6 meses após a PUC-GO. A Faculdade de Educação da UFG, em 2024, completa 56 anos de atuação em Goiânia e tem o primeiro programa de pós-graduação em Educação do estado de Goiás. Até o momento, foram defendidas 686 dissertações e 240 teses, com 48 desses trabalhos vinculados à História da Educação.
Atualmente, o programa possui cinco linhas de pesquisa: Trabalho, Educação e Movimentos Sociais; Estado, Políticas e História da Educação (essa linha já mudou de nome várias vezes, mas sempre esteve conectada à História da Educação); Fundamentos dos Processos Educativos; Processos Educacionais; e Formação Profissional e Profissionalização Docente. O Quadro 4, a seguir, traz as teses e dissertações defendidas na UFG.
Quadro 4 – Dissertações e Teses defendidas na UFG
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Ano |
Dissertação |
Orientador(a) |
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1990 |
VARIZO, Zaira da Cunha Melo. História de vida e cotidiano do professor de Matemática. |
José Luiz Domingues |
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1992 |
MENEZES, Mindé Badauy de. As estratégias de construção do discurso de privatização da universidade brasileira: um estudo da conjuntura 1975/88. |
José Silvério Baia Horta |
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1992 |
LIMA, Lenir Miguel de. Os militares, o populismo e suas influências na Educação Física em Goiás. |
Francisco Itami Campos |
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1996 |
BORGES, Maria Helena Jayme. A música e o piano na sociedade goiana (1805-1972). |
Nancy Ribeiro de Araújo e Silva |
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1997 |
ABREU, Sandra Elaine Aires de. A criação da Faculdade de Filosofia Bernardo Sayão e o protestantismo em Anápolis. |
Maria Teresa Canesin Guimarães |
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1997 |
REZENDE, Maria Auxiliadora Seabra. O sentido histórico da criação da Faculdade de Educação na UFG. |
Maria Teresa Canesin Guimarães |
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1997 |
PIRES, Luciene Lima de Assis. O ensino secundário em Jataí nas décadas de 40 e 50. |
Walderês Nunes Loureiro |
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1998 |
SILVA, Andréia Ferreira da. Reformulação da formação de professores da UFG. |
Maria Teresa Canesin Guimarães |
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1998 |
GONÇALVES, Ana Maria. Democratização da Educação: uma leitura das CBES 1980/1991. |
Walderês Nunes Loureiro |
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1999 |
SOUZA, João Oliveira. Criação e estruturação da Universidade Católica de Goiás: embate entre o público e o privado (1940-1960). |
Luiz Fernandes Dourado |
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2000 |
ALVES, Míriam Fábia . Faculdade de Direito: das origens à criação da Universidade Federal de Goiás (1898-1960). |
Maurides Batista M. F. de Oliveira |
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2001 |
LIMA, Tereza Cristina Medeiros Pinheiro de. O curso de Administração da Universidade Católica de Goiás: criação e consolidação. |
Maurides Batista Macedo Filha de Oliveira |
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2002 |
NASCIMENTO, Marcos Jary. Participação política da juventude goiana no movimento estudantil universitário: a crise de um projeto social (1960-1985). |
Maurides Batista Macedo Filha de Oliveira |
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2002 |
PICCOLO, Marilda. A disciplina História da Educação em cursos de Pedagogia. |
Walderês Nunes Loureiro |
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2003 |
SANTOS, Nelson Soares dos. Caminhos pedregosos: a tentativa de organização do movimento estudantil no Tocantins na década de 1990(1988/1999). |
Maurides Batista Macedo F. Oliveira |
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2004 |
MARTINS, Deniza Geny Silva Machado. A reconstrução histórica da Fundação de Ensino Superior de Rio Verde (FESURV): 1968-2004. |
Maurides Batista Macedo F. Oliveira |
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2005 |
OLIVEIRA, Danúsia Arantes F. Batista de. A expansão dos cursos de Pedagogia em Goiânia: um estudo comparativo. |
Maurides Batista de M. Filha |
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2005 |
SILVA, Maria José da. A reconstrução histórica do Campus de Catalão. |
Maurides Batista de M. Filha |
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2006 |
BORGES, Simone Aparecida. Os cursos de história da Universidade Católica de Goiás: um olhar histórico. |
Maurides Batista de M. Filha |
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2006 |
FERREIRA, Cristiano Lucas. A UEG no olho do furacão: o processo de criação, estruturação da Universidade Estadual de Goiás. |
Isabel Ibarra Cabrera |
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2008 |
LOPES, Leonardo Montes. Biblioteca Pública Municipal Rosulino Campos: memória, história e leitura. |
Orlinda Maria de Fátima Carrijo Melo |
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2011 |
ALVES, Edson Ferreira. Conselho Municipais de Educação em Goiás: historicidade, movimentos e possibilidades. |
Miriam Fábia Alves |
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2016 |
SANTOS, Alessandra de Oliveira. Entre afirmações e caos: Lycêo de Goyaz e a instrução secundária oitocentista. |
Diane Valdez |
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2016 |
RIBEIRO, Tatiana Sasse Fabiano. “Ilumina o país em que nasceste” - instrução e civilização na imprensa goiana: A Matutina Meiapontense (1830-1834). |
Diane Valdez |
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2017 |
FERREIRA, Edna Pereira dos Santos. Introducção da Sciencia no amago da instrucção primária: o ensino de ciências naturais no terceiro livro de leitura de Felisberto de Carvalho (1892-1959). |
Diane Valdez |
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2017 |
FIGUEIREDO, Túlio Marcelo Rufino de Vasconcelos. O Brasil Moderno e a educação para o trabalho em Cuiabá: a escola de aprendizes e artífices de Mato Grosso (1909-1942). |
Edna Mendonça Oliveira de Queiroz |
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2017 |
VIANA, Verônica Pereira. Manter sadia a criança sadia: os preceitos higienistas veiculados na Revista de Educação de Goiás (1937-1962). |
Diane Valdez |
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2017 |
LEITE, João Victor Nunes. Luzes e poder real: as aulas régias na Capitania de Goyaz (1760-1822). |
Diane Valdez |
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2017 |
BARBOSA, Deuzenir Dias Fernandes. Uma semente para o futuro: os clubes agrícolas escolares e a formação de mentalidades ruralistas (Goiás 1930-1960). |
Rubia-Mar Nunes Pinto |
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2018 |
SILVA, Danielly Cardoso da. “Você deveria ter vergonha de viver num país com tantos analfabetos”: a campanha publicitária do Mobral na Revista Veja (1970-1975). |
Diane Valdez |
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2019 |
BENTO, Alline Rodrigues. Zilda Diniz Fontes (1920-1984): uma educadora que não cabe na escola. |
Diane Valdez |
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2019 |
GOMES, Mirian Aparecida Mateus. O Pacto pela educação em Goiás (2011-2015) no Jornal O Popular: notas de uma reforma. |
Valdeniza Maria Lopes da Barra |
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2019 |
ALVES, Ana Lucia Junger da Fonseca. Educação física, esportes e ditadura militar em Goiás (1973-1989): jogos internos da Universidade Federal de Goiás. |
Rubia-Mar Nunes Pinto |
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2020 |
SOUZA, Eliane Silverio de. O esporte em Goiânia nos tempos do Estado Novo: um dispositivo de transformação dos corpos. |
Rubia-Mar Nunes Pinto |
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2020 |
AMARAL, Vinicius Correia. Liberalismo e educação nas páginas do Jornal A Tribuna Livre (1878-1884). |
Valdeniza Maria Lopes da Barra |
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2022 |
OLIVEIRA, Eduarda Tavares. Sobre os ditos e os não ditos: a trajetória de leodegária de Jesus na imprensa (1889-1978). |
Diane Valdez |
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2023 |
FORT, Manael Ben Elshad Jennifer St. Disputas de poder e organização pedagógica: a escola normal Nossa Senhora Auxiliadora de Anápolis/Goiás (1937-1946). |
Miriam Fábia Alves |
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2007 |
LIMA, Tereza Cristina M. P. de. O ensino superior de Administração no Brasil e em Goiás: expansão, privatização e mercantilização no período de 1995- 2006. |
Maurides Batista Macêdo Filha |
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2009 |
PAULA, Gil César Costa de. A atuação da União Nacional dos Estudantes - UNE: do inconformismo à submissão do estado (1960 a 2009). |
Maurides Batista Macêdo Filha |
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2010 |
DOURADO, Benvinda Barros. Educação no Tocantins: Ginásio Estadual de Porto Nacional. |
Maurides Batista Macêdo Filha |
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2011 |
PADOVAN, Regina Célia. Lugar de escola e “lugar de fronteira”: a instrução primária em Boa vista do Tocantins em Goiás no século XIX (1850-1896). |
Maurides Batista Macêdo Filha |
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2012 |
BARROS Fernanda. O Tempo do Lyceu Em Goiás: formação humanista e intelectuais 1906-1960. |
Maurides Batista Macêdo Filha |
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2019 |
VICENTE, Keides Batista. Memória aberta: universidade e resistência feminina na ditadura militar em Goiás. |
Diane Valdez |
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2021 |
SANTOS, Alessandra de Oliveira. Do pessoal empregado no magistério: o ofício de professor no Lycêu de Goyaz (1847-1888). |
Diane Valdez |
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2022 |
RIBEIRO, Diogo Jansen. Escola primária nacional em Anápolis-GO (1944-1960): fatores de expansão ideológica. |
Silvia Rosa da Silva Zanolla |
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2022 |
CARNEIRO, Alessandra Pereira. Atuação de professoras na região da prelazia de São Félix do Araguaia (Mato Grosso - 1979/1989). |
Diane Valdez |
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2023 |
OLIVEIRA, Elis Regina da Silva. Da infância longínqua à ancianidade presente”: tempos e vivências de Cora Coralina (séculos XIX - XX). |
Diane Valdez |
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2023 |
DIAS, Ana Raquel Costa. Biografias de mulheres na história da educação: Benedicta Stahl Sodré, Branca Alves de Lima e Iracema Furtado Soares de Meireles (Século XX). |
Diane Valdez |
Fonte: BDTD e UFG (2024)
O que chamou a atenção durante esta pesquisa foi a evolução do pensamento na História da Educação dentro desses programas. Ao longo dos anos, podemos observar que os trabalhos estão intimamente ligados à própria transformação da área. Nos anos 1990, por exemplo, houve um foco significativo na formação docente e no pensamento educacional, temas predominantes nas dissertações defendidas naquela época. Foram defendidas 15 dissertações nessa década, abordando a formação de professores e as instituições de formação docente tanto na PUC-GO quanto na UFG.
Ao observarmos os gráficos de defesa de dissertações, notamos um aumento constante nas defesas ao longo dos anos, mas com algumas lacunas. Entre 1992 e 1996, e entre 2000 e 2007, não houve defesas de dissertações, o que levanta questões sobre a formação dos pesquisadores e seu envolvimento com a História da Educação. A resposta parece estar ligada à repetição de orientadores dentro desses programas, especialmente no período entre 2013 e 2018, quando havia apenas uma pessoa orientando trabalhos na área de História da Educação. Após 2013, houve um aumento no número de pesquisadores dedicados ao tema, especialmente na PUC-GO e na UFG. O Gráfico 1 mostra os números de teses voltadas a essa área.
Gráfico 1 – Teses em História da Educação no estado de Goiás

Fonte: dados compilados pela autora
Na UFG, a primeira tese voltada a esse tema foi defendida em 2007. Desde então, observamos um aumento modesto nas defesas de teses com temas relacionados à História da Educação. Em 2022 e 2023, foram defendidas três teses em cada ano. Embora o número total de teses defendidas seja considerável, a quantidade de teses específicas sobre História da Educação ainda é pequena.
Ao juntarmos os gráficos de dissertações e teses, algumas questões importantes surgem. Dado que o tema da mesa da qual é fruto este artigo era a formação de novos pesquisadores, uma das questões levantadas foi a pequena quantidade de professores nos programas de pós-graduação vinculados à História da Educação. Houve um aumento no número de docentes nessa área entre 2013 e 2019, mas muitos mudaram de linha de pesquisa. Além disso, alguns professores se aposentaram e outros faleceram, principalmente durante a pandemia. O Gráfico 2 apresenta os números de dissertações e teses no estado de Goiás.
Gráfico 2 – Dissertações e teses em Goiás – 1990 a 2023

Fonte: dados compilados pela autora
Essa mudança no cenário da História da Educação faz refletir sobre algumas questões, especialmente sobre a política de carreira docente no estado de Goiás. Na educação básica, há um plano de carreira em que o professor é incentivado a fazer mestrado, pois isso resulta em um aumento salarial de 40%. No entanto, o doutorado não é igualmente valorizado, com um aumento de apenas 10%, o que desestimula a busca por essa qualificação. Isso caracteriza o perfil de muitos dos professores que fizeram mestrado e doutorado nessas universidades.
Essas lacunas podem ser compreendidas à luz da análise de Teixeira (2021), que demonstrou que a produção em áreas específicas da pós-graduação brasileira está diretamente condicionada à disponibilidade de orientadores com dedicação regular à área, o que explica os ciclos de maior ou menor concentração de dissertações observados em Goiás.
Com esse levantamento, verificamos que muitas dessas pessoas que fazem mestrado acabam se afastando da universidade. Nos últimos anos, foram defendidas 97 dissertações de mestrado e apenas 28 teses de doutorado. A maioria desses professores que defenderam as teses são da rede estadual ou da educação básica, e alguns também fizeram seus mestrados na região, com poucas exceções. Um exemplo é o caso da autora deste artigo, que defendeu seu doutorado em 2012 – e foi a única a fazê-lo naquele ano. Antes disso, ela havia feito o mestrado na Universidade Federal de Uberlândia.
Esse aumento nas dissertações defendidas a partir de 2013 está relacionado principalmente à mudança na carreira dos professores do estado, que são incentivados a obter o mestrado. Infelizmente, muitos deles acabam saindo da universidade, e já discutimos um pouco sobre isso em nossa pesquisa e na mesa no EHECO.
Há uma questão relevante a ser considerada na organização da pesquisa em História da Educação: a necessidade de manter pesquisadores ativos nos grupos. É fundamental movimentar esses coletivos, algo que estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul têm conseguido com encontros e atividades periódicas. Nesses estados, vários grupos realizam atividades semanais, o que é um bom exemplo para nós, goianos. O fortalecimento da área exige o engajamento desde a iniciação científica até o doutorado e garante a renovação de pesquisadores e a continuidade das investigações. Assim, podemos garantir que o campo continue crescendo. Embora tenhamos observado um aumento, ainda estamos com uma produção tímida em relação ao que é necessário no País.
Considerações finais
Observando e analisando os dados apresentados sobre a produção de dissertações e teses com temática vinculada à História da Educação no estado de Goiás, podemos perceber um crescimento gradual, com alguns desafios significativos. Conforme Saviani (2008) já apontava, o desenvolvimento de uma área de pesquisa não se mede apenas por seu crescimento quantitativo, mas também pela consolidação de perspectivas teóricas, pela formação sistemática de novos pesquisadores e pela inserção orgânica em redes de produção e divulgação do conhecimento.
O aumento no número de dissertações e teses na área defendidas ao longo dos anos de 1990 a 2024 é um sinal positivo, mas a área ainda sofre com a falta de continuidade e com a pequena quantidade de pesquisadores dedicados exclusivamente à História da Educação.
Podemos elencar alguns fatores que contribuem para esse quadro, como a proposta para a carreira docente da educação básica do estado de Goiás, que incentiva o mestrado para a progressão, em detrimento do doutorado, resultando em uma discrepância entre o número de dissertações e teses defendidas. Em consequência, podemos observar a falta de retenção de pesquisadores após a conclusão do mestrado, com muitos deixando a área.
Esse padrão reproduz, em escala regional, o fenômeno descrito por Nunes e Carvalho (1993) para o contexto nacional: a pesquisa em História da Educação tende a se organizar em torno de grupos e pesquisadores-referência – especialmente nos períodos dos anos 1990 e 2000 –, o que limita a diversidade e o volume das pesquisas. Consequentemente, cria fragilidades estruturais quando da aposentadoria ou do falecimento desses docentes – como aconteceu durante a pandemia da Covid-19 – ou da mudança de suas linhas de pesquisa.
A ausência da História da Educação em programas como os da UEG, do IFG e da UFJ – todos com linhas voltadas prioritariamente para políticas educacionais e práticas pedagógicas – não é fortuita. Conforme Warde (1990), essa distribuição reflete escolhas epistemológicas e institucionais que hierarquizam os saberes educacionais e relegam a perspectiva histórica a um papel secundário. Superar essa marginalização exige não apenas a ampliação do número de vagas e orientadores, mas também uma revalorização da pesquisa histórica como condição para compreender os processos educativos em sua temporalidade.
Para que a área seja fortalecida no estado de Goiás, há algumas ações recomendadas, como incentivar a permanência dos mestrandos e doutorandos na área; aumentar a motivação e a frequência de atividades dos grupos de pesquisa, inspirando os mestrandos à continuidade dos estudos no doutorado; e fomentar o interesse pela História da Educação desde a iniciação científica, criando um grupo de novos pesquisadores.
Embora haja um progresso visível, a produção acadêmica em História da Educação em Goiás ainda é considerada tímida em comparação com as necessidades do País. É crucial continuar investindo na formação de novos pesquisadores e na consolidação dos grupos de pesquisa existentes para fortalecer e expandir o campo no estado.
Referências
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SOBRE A AUTORA
Fernanda Barros. Doutora em Educação pela Universidade Federal de Goiás. Professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás. Líder do Núcleo de Estudos e Pesquisas em História da Educação (NepheGO).
Contribuição de autoria: Conceituação, Curadoria de dados, Análise formal, Investigação, Metodologia, Administração do projeto, Escrita – rascunho original, Escrita – revisão e edição.
Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/8492651615485756
AUTODECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS E PROCEDIMENTOS ÉTICOS
Declaramos que não houve pesquisas com seres humanos. Os dados foram coletados nas bases legais dos programas de pós-graduação e das agências organizadoras. A IA foi usada para localização de sites.
Submetido em: 03.12.25
Aprovado em: 30.04.26
Publicado em: 16.06.26
[1] Universidade Federal de Goiás, Goiânia, Goiás, Brasil; ferbarros36@ufg.br
[2] A BDTD pode ser acessada em: https://bdtd.ibict.br/vufind/
[3] A Plataforma Sucupira pode ser acessada em: https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/index.xhtml
[4] O mapa foi produzido pelo geógrafo Prof. Dr. Paulo Aguiar Junior.