Acompanhamento às atividades escolares dos filhos e relações de gênero
DOI:
https://doi.org/10.24933/horizontes.v43i1.2083Palavras-chave:
Gênero, Acompanhamento escolar, Relação família-escola, Sociologia da EducaçãoResumo
O artigo analisa o acompanhamento dos pais a atividades escolares dos filhos em casa, sob a perspectiva das relações de gênero. Indaga em que medida há variação no acompanhamento dado a filhos e filhas. A pesquisa focalizou três famílias de estudantes de escolas públicas, sendo entrevistados separadamente: pelo menos um dos responsáveis, o filho e a filha. Constatou-se que as mães não reconhecem um acompanhamento escolar desigual conforme o gênero dos filhos, mas a desigualdade se manifesta de forma implícita nas falas delas e explícita nas dos jovens. O discurso de igualdade de gênero observado pode indicar uma tendência de revisão de estereótipos, mas que ainda parece pouco evidente nos relatos sobre as práticas.
Downloads
Referências
ALVES, M. T. G.; SOARES, J. F.; XAVIER, F. P. Desigualdades educacionais no ensino fundamental de 2005 a 2013: hiato entre grupos sociais. Revista Brasileira de Sociologia - RBS, [S. l.], v. 4, n. 7, p. 49–82, 2016. DOI: 10.20336/rbs.150. Acesso em: 30 jan. 2024.
ALVES, J. E. D.; CAVENAGHI, S. M. Indicadores de Desigualdade de Gênero no Brasil. Mediações - Revista de Ciências Sociais, Londrina, v. 18, n. 1, p. 83-105, 2013. DOI: 10.5433/2176-6665.2013v18n1p83. Acesso em: 30 jan. 2024.
BARROSO, M. M. Fratrias e Género: contributos para uma análise sociológica das relações fraternais. VI Congresso Português de Sociologia, 6., 2008, Lisboa. Anais. Lisboa: Associação Portuguesa de Sociologia, 2008.
BELTRÃO, K. I.; ALVES, J. E. D. A reversão do hiato de gênero na educação brasileira no
século XX. Cadernos de Pesquisa, v. 39, n. 136, p. 125–156, jan. 2009.
BOTTON, A.; CÚNICO, S. D.; BARCINSKI, M.; STREY, M. N. Os papeis parentais nas famílias: analisando aspectos transgeracionais e de gênero. Pensando Famílias, Porto Alegre, v.19, n. 2, p. 43-56, dez. 2015. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-494X2015000200005&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 30 maio 2020.
BOURDIEU, P. A dominação masculina. Tradução de Maria Helena Kühner. 11. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012.
BRAY, M. Benefits and Tensions of Shadow Education: Comparative Perspectives on the
Roles and Impact of Private Supplementary Tutoring in the Lives of Hong Kong Students.
Journal of International and Comparative Education, Kuala Lumpur, v. 2, n. 1, p. 18–30, 2013.
BRESSOUX, P. As pesquisas sobre o efeito-escola e o efeito-professor. Educação em Revista, Belo Horizonte, v. 38, p. 17-88, 2003.
BROWN, P. The third wave: education and the ideology of parentocracy. British Journal of Sociology of Education, Abingdon, v. 11, n. 1, p. 65-85, 1990.
BUISSON, M. La fratrie, creuset des paradoxes. Paris: L’harmattan, 2003.
CARDOSO, A.; PRÉTECEILLE, E. Classes médias no Brasil: do que se trata? Qual seu tamanho? Como vem Mudando? Dados, v. 60, n. 4, p. 977–1023, out. 2017. DOI: https://doi.org/10.1590/001152582017140. Acesso em: 16 jul. 2025.
CARVALHO, C.; NOGUEIRA, M. A. “Nascer em berço de ouro”: o quarto infantil como instância socializatória. Educação & Sociedade, Campinas, v. 41, p. e234058, 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/ES.234058. Acesso em: 16 jul. 2025.
CARVALHO, J. B.; MELO, M. C. A família e os papeis de gênero na adolescência. Psicologia & Sociedade, v. 31, p. e168505, 2019. DOI: https://doi.org/10.1590/1807-0310/2019v31168505. Acesso em 15 Jul. 2025.
CARVALHO, M. E. Relações entre família e escola e suas implicações de gênero. Cadernos de pesquisa, n.110, p. 143-155, 2000.
CARVALHO, M. P. de. Sucesso e fracasso escolar: uma questão de gênero. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.29, n.1, p.185-193. jan./jun. 2003.
CARVALHO, M. E. P. de. Escola como extensão da família ou família como extensão da
escola? O dever de casa e as relações família-escola. Revista Brasileira de Educação, n. 25,
p. 94–104, jan. 2004.
CARVALHO, M. P. de. Teses e dissertações sobre gênero e desempenho escolar no Brasil (1993 - 2007): um estado da arte (1993 - 2007): um estado da arte. Pro-Posições, v. 23, n. 1, p. 147–162, jan. 2012. DOI: https://doi.org/10.1590/S0103-73072012000100010. Acesso em: 17 jul. 2025.
CARVALHO, M. E. P.; NASCIMENTO, C. dos S.; PAIVA, C. M. O lugar do dever de casa na sala de aula. Olhar de Professor, v. 9, n. 2, 2006. Disponível em: https://revistas.uepg.br/index.php/olhardeprofessor/article/view/1469. Acesso em: 25 set. 2023.
CARVALHO, M. P. de; SENKEVICS, A. S.; LOGES, T. A. O sucesso escolar de meninas de camadas populares: qual o papel da socialização familiar? Educação e Pesquisa, v. 40, n. 3, p. 717–734, 2014. DOI: https://doi.org/10.1590/s1517-97022014091637. Acesso em: 17 jul. 2025.
CAVALCANTI, E. Diferenças de gênero na apreensão do conhecimento escolar. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2002.
COELHO, I. Gênero e envolvimento parental na escola: implicações para a educação de adultos. Revista Portuguesa de Pedagogia, v. 41, n.3, p. 359-373, 2007.
DAL'IGNA, M. C. Desempenho escolar de meninos e meninas: há diferença? Educação em
Revista, n. 46, p. 241–267, dez. 2007.
DARMON, M. Analyser empiriquement un inobservable: comment “attrape-t-on” une disposition? In: DEPOILLY, S., KAKPO, S. (Coord.). La différenciation sociale des enfants. Paris: Presses Universitaires de Vincennes, 2019.
DAVIS, A. Mulheres, raça e classe. Tradução de Heci Regina Candiani. São Paulo: Boitempo, 2016.
DIAS, E. Mulheres e a educação escolar de seus filhos no contexto da pandemia da covid-19. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Campo Grande, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufms.br/handle/123456789/5787. Acesso em: 15 jul. 2025.
DURU-BELLAT, M., VAN ZANTEN, A. Sociologie de l’école. 2.ed. Paris: Armand Colin, 1999.
ÉPIPHANE, D. Meninas (educação das). In: VAN ZANTEN, A. (Coord.). Dicionário de educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.
EURYDICE. Diferenças de género nos resultados escolares: estudo sobre as medidas
tomadas e a situação actual na Europa (Relatório), EACEA, Comunidade Europeia:
Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação, Ministério da Educação. 2010. DOI:10.2797/51375.
GLASMAN, D. Le travail des élèves pour l’école en dehors de l’école. Chambery:
Université de Savoie, 2005.
GONZALEZ, L. Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos (1970-1990). Rio de Janeiro: Zahar, 2020.
HEILBORN, M. L. O traçado da vida: gênero e idade em dois bairros populares do Rio de Janeiro. In: MADEIRA, F. R. (Org.). Quem mandou nascer mulher? Estudos sobre crianças e adolescentes pobres no Brasil. Rio de Janeiro: Record; Rosa dos Tempos, 1997. p. 291-342.
HIRATA, H.; KERGOAT, D. Novas configurações da divisão sexual do trabalho. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 37, n. 132, p. 595-609, dez. 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15742007000300005&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 18 mar. 2021.
LAHIRE, B. Sucesso escolar nos meios populares: as razões do improvável. São Paulo: Editora Ética, 1997.
LOURO, G. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.
MADEIRA, F. R. A trajetória das meninas dos setores populares: escola, trabalho ou reclusão. In: MADEIRA, F. R. (Org.). Quem mandou nascer mulher? Estudos sobre crianças e adolescentes pobres no Brasil. Rio de Janeiro: Record; Rosa dos Tempos. 1997. p. 45-133.
MAIA, A. C.; NAVARRO, C.; MAIA, A. Relações entre gênero e escola no discurso de professoras do ensino fundamental. Psicologia Educacional, São Paulo, n. 32, p. 25-46, jun. 2011. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-69752011000100003&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 30 jan. 2024.
NOGUEIRA, M. A. Classes médias e escola: novas perspectivas de análise. Currículo sem
Fronteiras, v.10, n.1, pp.213-231, Jan/Jun 2010.
NOGUEIRA, M. A. No fio da navalha: a (nova) classe média brasileira e sua opção pela escola particular. In: ROMANELLI, G.; NOGUEIRA, M. A.; ZAGO, N. (Orgs.). Família & escola: novas perspectivas de análise. Petrópolis: Vozes, 2013, p. 109-130.
NOGUEIRA, C.; NOGUEIRA, M. A. A sociologia da educação de Pierre Bourdieu: limites e contribuições. Educação & Sociedade, v. 23, p. 15-35, 2002.
NOGUEIRA, M. A.; RESENDE, T. Relação família-escola no Brasil: um estado do conhecimento (1997-2011). Educação: Teoria e Prática, v. 32, n. 65, p. e02[2022], 2022. DOI: 10.18675/1981-8106.v32.n.65.s15325. Acesso em: 15 Jun. 2025
OCDE. O que está por trás da desigualdade de gênero na educação? PISA em foco, n.49, Paris: OCDE Publishing, mar. 2015. Disponível em: https://www.oecd.org/pisa/pisaproducts/pisainfocus/PIF-49%20(por).pdf. Acesso em: 10 jun. 2020.
OECD. PISA 2022, Factsheets, Brazil. Paris: OECD Publishing, 2023. Disponível em: https://www.oecd.org/publication/pisa-2022-results/webbooks/dynamic/pisa-country-notes/61690648/pdf/brazil.pdf. Acesso em: 15 dez. 2023.
OLIVEIRA, L. C. Estratégias de parentocracia na escolarização de agentes da educação básica: um estudo sobre a presença de professores particulares. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, 2016.
PERROT, Michelle. Os excluídos da história: operários, mulheres e prisioneiros. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2017.
RESENDE, T. Entre escolas e famílias: revelações dos deveres de casa. Paidéia, Ribeirão Preto, v. 18, n. 40, 385-398, 2008.
ROSEMBERG, F. Educação formal, mulher e gênero no Brasil contemporâneo. Revista Estudos Feministas, v. 9, n. 2, p. 515–540, 2001.
ROSEMBERG, F. ; MADSEN, N. Educação formal, mulheres e gênero no Brasil contemporâneo. IN: LINHARES BARSTED; L.; PITANGUY, J. (Orgs.). O progresso das mulheres no Brasil 2003-2010. Rio de Janeiro; Brasília: Peia; Unesco, 2011, v. 1.
SILVA, P. Escola-família, uma relação armadilhada: interculturalidade e relações de
poder. [S.l.] Afrontamento, 2003.
SILVA, P. Análise sociológica da relação escola-família: um roteiro sobre o caso português.
FLUP, p. 443-464, 2010.
SILVA, L. C.; PEREIRA, E. A. dos S. Percepções sobre o comportamento de indisciplina de meninas e meninos na escola. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 52, p. e07446, 2022.
DOI: https://doi.org/10.1590/198053147446. Acesso em: 4 dez. 2023.
SILVA, C., HALPERNI, F., SILVA, L. Meninas bem-comportadas, boas alunas; meninos inteligentes, indisciplinados. Cadernos de Pesquisa, nº 107, p. 207-225, julho, 1999.
SOUZA, K.; KERBAUY, M. T. Abordagem quanti-qualitativa: superação da dicotomia quantitativa-qualitativa na pesquisa em educação. Educação e Filosofia, Uberlândia, v. 31, n. 61, p. 21-44, abr. 2017. DOI: https://doi.org/10.14393/REVEDFIL.issn.0102-6801.v31n61a2017-p21a44. Acesso em: 15 jul. 2025.
TUCKER, C., MCHALE, S., CROUTER, A. Dimensions of mothers' and fathers' differential treatment of siblings: links with adolescents' sex-typed personal qualities. Family Relations, v. 52, n. 1, p. 82-89, 2003.
VIANA, M. J. B. Longevidade escolar em famílias populares – algumas condições de possibilidade. Goiânia: Ed. da UCG, 2007.
XAVIER, V. A. "O menino, com o mínimo de interesse, consegue; a menina tem muito
mais afazeres": percepção docente sobre o hiato de gênero no desempenho em
Matemática. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2018.
XU, J. Gender and homework management reported by High School Students. Educational Psychology, v. 26, n. 1, p., 73–91, 2006.
XU, J. Gender and homework management reported by African American students. Educational Psychology, v. 30, n. 7, p. 755–770, 2010.
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Vivian Ferreira Morais de Carvalho, Cibele Noronha de Carvalho , Tânia de Freitas Resende

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
a) Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
b) Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
c) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal, desde que através do link da Horizontes) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
d) O manuscrito para submissão deve ser acompanhado por uma carta escaneada assinada por todos os autores, informando que o trabalho não foi enviado para nenhum outro periódico e que acatam as normas contidas nas Diretrizes da Horizontes.
