Práticas pedagógicas no ambiente escolar
Escola Estadual João Pinheiro de 1° Grau (1966 a 1988)
DOI:
https://doi.org/10.24933/horizontes.v44i1.2371Palavras-chave:
infância, práticas pedagógicas, Educação Infantil, História da Educação, escola públicaResumo
O artigo analisa historicamente as concepções de infância e práticas pedagógicas desenvolvidas na Escola Estadual João Pinheiro, localizada em Ituiutaba, Minas Gerais, no período de 1966 a 1988, com ênfase no processo de implantação e consolidação Educação Infantil na instituição. Inserido no campo da História da Educação, especialmente no contexto da escolarização mineira, o estudo investiga como diferentes concepções de criança, educação e formação moral se materializaram nas práticas escolares cotidianas, articulando políticas educacionais, cultura escolar e transformações sociais ocorridas durante o período. Metodologicamente, a pesquisa fundamenta-se na análise de fontes documentais institucionais, legislações educacionais, registros escolares e na história oral, por meio de depoimentos de ex-diretoras, professoras, ex-alunos e memorialista local, possibilitando a articulação entre memória, experiência e documentação histórica. Os resultados evidenciam que as práticas educativas estavam fortemente marcadas pelo disciplinamento, pela centralidade da memorização, por rituais cívicos e religiosos, bem como pela adoção do método global-analítico, expressando permanências da pedagogia tradicional e os impactos do contexto político da ditadura civil-militar sobre a cultura escolar. Ao mesmo tempo, identificam-se mudanças graduais nas concepções de infância, com a progressiva incorporação de perspectivas que reconheciam a criança como sujeito em desenvolvimento, ainda que subordinada a mecanismos institucionais de controle, vigilância e normalização. O estudo conclui que a trajetória da Educação Infantil na Escola Estadual João Pinheiro revela tensões entre permanências disciplinares e processos de modernização pedagógica, contribuindo para a compreensão da história regional da educação pública e das transformações nas formas de escolarização da infância em Minas Gerais.
Downloads
Referências
CENTENÁRIO ITUIUTABA. Ituiutaba, ed. Especial, n.1, 2001.
CHARLOT, Bernard. A mistificação pedagógica. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.
CHARLOT, Bernard. Da relação com o saber: elementos para uma teoria. Porto Alegre: Artmed, 2000.
COTRIM, Gilberto; PARISI, Mário. Fundamentos da educação: história e filosofia da educação. São Paulo, SP: Saraiva, 1984.
KUHLMAN JR., Moysés. Histórias da educação infantil brasileira. Revista Brasileira de Educação [online], n. 14, p. 5-18, 2000.
FERREIRA, Ana Emília Cordeiro Souto. Da Centralidade da Infância na modernidade e sua escolarização: a Escola Estadual João Pinheiro – Ituiutaba (MG), 1908 – 1988. 209 p. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2007.
FROEBEL, Friedrich Wilhelm August. Froebel e a Educação pela evolução orgânica. In: EBY, Frederick. História da educação moderna. 2. ed. Porto Alegre: Globo, 1976. p. 430 a 461.
FROEBEL, Friedrich Wilhelm August. A educação do homem. Passo Fundo: UPF, 2001.
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.
MONTESSORI, Maria. A criança. 2. ed. Rio de Janeiro: Nórdica, 1987.
MONTESSORI, Maria. Pedagogia científica. São Paulo: Flamboyant, 1965.
ROSEMBERG, Flávia. Educação Infantil, classe, raça e gênero. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, n. 96, p. 58-65, 1996.
ROUSSEAU, Jean Jacques. Emílio ou da educação. São Paulo. 3 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Monique Adriele da Silva Warzocha, Carlos Henrique de Carvalho, Ana Emília Cordeiro Souto Ferreira

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
a) Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
b) Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
c) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal, desde que através do link da Horizontes) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
d) O manuscrito para submissão deve ser acompanhado por uma carta escaneada assinada por todos os autores, informando que o trabalho não foi enviado para nenhum outro periódico e que acatam as normas contidas nas Diretrizes da Horizontes.

