Seções Temáticas com prazos de publicação para 2027
Seções Temáticas para 2027.
Os autores interessados deverão prestar atenção aos prazos e organizar o manuscrito segundo as Regras de Submissão.
- Seção Temática : "Tecnologias educacionais, inteligência artificial generativa e diversidade humana na América Latina".
"Educational Technologies, Generative Artificial Intelligence and Human Diversity in Latin America".
Organizadores: Daniel Novaes Gomes Pereira, Universidade São Francisco (USF), Braian Garrito Veloso, Universidade Federal de Lavras (UFLA), Ekaterina Rzyankina, University of Cape Town (UCT), África do Sul.
Escopo: A crescente integração da Inteligência Artificial (IA) nos ecossistemas educacionais contemporâneos exige uma reflexão crítica profunda sobre as bases epistemológicas e os impactos destas tecnologias. Frequentemente desenvolvidos e treinados a partir de referenciais hegemônicos do Norte Global, os algoritmos e sistemas de IA tendem a reproduzir, e por vezes amplificar, lógicas de exclusão e desigualdades estruturais já presentes na sociedade, como o racismo, o sexismo e o classismo. No campo educacional, esse "preconceito algorítmico" manifesta-se na invisibilização de minorias, na padronização excludente de currículos, em vieses de avaliação automatizada e na vigilância contínua de corpos discentes e docentes.
Nessa senda, ganha centralidade uma concepção ampliada de letramento em Inteligência Artificial. Se os letramentos constituem práticas sociais perpassadas por relações de poder, cultura e contexto (Kleiman, 1995; Street, 1984), o letramento em IA também não pode ser reduzido a um conjunto de competências técnicas consideradas necessárias para “prosperar” num mundo inevitavelmente marcado por certas tecnologias. A própria formulação de referenciais internacionais merece, portanto, ser perquirida. Quando organismos multilaterais estabelecem quais competências devem ser desenvolvidas pelos sujeitos para lidar com a IAGen, também estão definindo quais conhecimentos, comportamentos e formas de interação serão considerados desejáveis (OCDE; Comissão Europeia, 2025). A questão, nesse caso, deixa de ser apenas pedagógica e passa a ser igualmente epistemológica e política.
A expansão das Inteligências Artificiais Generativas (IAGen) vem produzindo mudanças importantes nos modos de produção, circulação e validação do conhecimento. Textos, imagens, sons, códigos e outras formas de conteúdo podem ser produzidos em poucos segundos a partir de comandos relativamente simples, introduzindo novas possibilidades para os processos educativos e, simultaneamente, novas inquietações. Não se trata, entretanto, de uma transformação meramente instrumental. À medida que as IAGen passam a participar de práticas de estudo, ensino, pesquisa e produção intelectual, também incidem sobre as relações que estabelecemos com o conhecimento, com a autoria e com aquilo que tomamos como verdadeiro. Como observa Santaella (2023), o que chamamos de inteligência artificial está longe de constituir uma inteligência no sentido humano do termo, sendo necessário compreender os fundamentos técnicos e as condições socioculturais que sustentam essas tecnologias.
Diante desse cenário, esta Seção Temática convida pesquisadores(as) a submeterem manuscritos inéditos, empíricos ou teóricos, que problematizem a adoção da IA na Educação sob uma perspectiva decolonial. Buscamos pesquisas que superem o determinismo tecnológico e a premissa da neutralidade algorítmica, propondo investigações sobre como as epistemologias do Sul podem fundamentar o desenvolvimento e a apropriação de tecnologias baseadas em IA no ambiente educacional.
Serão privilegiados estudos que abordem: o letramento algorítmico crítico em práticas pedagógicas emancipatórias; os impactos do colonialismo de dados e a necessidade de soberania informacional nas políticas públicas educacionais; e análises sobre o racismo e sexismo algorítmico em plataformas de aprendizagem. O intuito é reunir produções que não apenas denunciem as opressões codificadas, mas anunciem usos da Inteligência Artificial pautados pela justiça social, diversidade e emancipação, em consonância com o escopo de pesquisa em Educação da revista Horizontes.
Prazos:
Submissão: 10/10/2026 até 10/11/2026.
Previsão de publicação: 1º semestre de 2027
- Seção Temática: "Narrativas e Políticas Educacionais no cotidiano escolar".
"Narratives and Educational Policy in Everyday School Life".
Organizadores: Luciana Haddad Ferreira(PUCCAMP); Jane Adriana Vasconcelos Pacheco Rios (UNEB); Robyn Ilten-Gee (SFU).
Ementa:
A crescente complexidade das políticas educacionais contemporâneas, marcada por processos de plataformização, somados à intensificação de mecanismos de controle, tem demandado investigações que extrapolam o estudo normativo, documental e/ou pautado na avaliação de resultados. Torna-se cada vez mais necessário ampliar os modos de compreensão das políticas, voltando o olhar para os contextos em que elas se realizam e para os sujeitos que as produzem cotidianamente. Este dossiê propõe reunir estudos que reconheçam a narrativa como uma via para compreender as políticas educacionais em sua dimensão vivida. Ao considerar que as políticas não se esgotam em seus textos oficiais, mas se constituem nas práticas, interpretações, traduções e reinvenções realizadas nas escolas, a abordagem narrativa possibilita acessar experiências que tornam visíveis tanto as formas de materialização das políticas quanto suas tensões, contradições e limites. Compreende-se que a experiência narrada é um retrato social e histórico, uma via de acesso que possibilita o entendimento das políticas como processos dinâmicos, mas sempre marcados por condições materiais concretas, intencionalidades e vivências coletivas. Para além de um recurso metodológico, a narrativa constitui-se como uma escolha epistemológica e ético-estética. Ao possibilitar a produção de conhecimento em diálogo com as pessoas que vivem a escola, coloca-se em xeque as hierarquias tradicionais entre quem pesquisa e quem é pesquisado, favorecendo a construção de investigações colaborativas e dialógicas, criando situações de estudo e debate que contribuem para a formação continuada. A escrita e o compartilhamento de narrativas podem contribuir, assim, para a ampliação da consciência sobre as condições de atuação e os efeitos das políticas educacionais. Esses processos favorecem a construção de posicionamentos coletivos e o enfrentamento das mudanças decorrentes das constantes alterações curriculares e nas condições de trabalho das professoras. Diante desse cenário, convidamos à submissão de artigos que explorem as contribuições da narrativa para a os estudos das políticas educacionais, considerando seus alcances e desafios. Interessa-nos reunir trabalhos que possibilitem avançar na análise das relações entre política, contexto e experiência.
Submissão: 01/02/2027 até 01/03/2027.
Previsão de publicação: 2º semestre de 2027.

