O papel da língua materna no ensino do francês como língua estrangeira: uma velha questão rediscutida à luz das ciências do trabalho

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DOI:

https://doi.org/10.24933/horizontes.v39i1.1285

Resumo

Neste artigo, temos por objetivo apresentar um estudo sobre verbalizações de professores de francês, produzidas pelo método da autoconfrontação, procurando discutir qual é o papel da LM no trabalho de ensinar uma LE. Para tanto, baseamo-nos, em primeira instância, no Interacionismo Social de Vygotski (1997), como uma orientação epistemológica geral; servimo-nos, também, de dois quadros teórico-metodológicos que permitem compreender o trabalho e a linguagem produzida em situação de trabalho: de um lado, a Clínica da Atividade (CLOT, 1999) e Ergonomia da Atividade (FAÏTA, 2004, AMIGUES, 2004, SAUJAT, 2004) e, de outro, o Interacionismo Sociodiscursivo (BRONCKART, 1999). Os dados advêm de uma intervenção junto a professores iniciantes de francês e foram gerados por meio da autoconfrontação cruzada. Os resultados indicam que o uso da LM em aulas de francês pode ser considerado como um dilema do métier de professor de FLE.

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Publicado

2021-08-03

Como Citar

Lousada, E. G. . (2021). O papel da língua materna no ensino do francês como língua estrangeira: uma velha questão rediscutida à luz das ciências do trabalho. Horizontes, 39(1), e021038. https://doi.org/10.24933/horizontes.v39i1.1285

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Seção Temática: Os desafios do trabalho na contemporaneidade