Aguardando diagnóstico

notas etnográficas do tempo de espera na escolarização de crianças com TEA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24933/horizontes.v44i1.2135

Palavras-chave:

TEA, escola pública, etnografia

Resumo

Com base em pesquisa etnográfica, aborda-se a experiência de crianças que deixaram de ser observadas pedagogicamente enquanto aguardavam a confirmação de diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista. Registraram-se cenas em que crianças, supostamente alheias à comunicação entre pares, demonstraram engajamento para sustentar interlocução com as demais crianças e com adultos. A análise vale-se de autores que analisam o tema “autismo” em perspectiva antropológica; e referências como Goffman e Weber para analisar a percepção de reciprocidade em microinterações. Ochs e Solomon trazem elementos da sociabilidade autista para além da perspectiva biomédica. Conclui-se que no espaço-tempo em que aguardam a confirmação diagnóstica há enredamento comunicativo e pedagógico que tem sido ignorado.

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Biografia do Autor

Marcos Cezar de Freitas, Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP

Professor Associado do Departamento de Educação da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Paulo. Coordenador do Laboratório de Antropologia Educacional, LAEVI, do Campus Guarulhos da Unifesp.

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Publicado

03-06-2026

Como Citar

Freitas, M. C. de. (2026). Aguardando diagnóstico: notas etnográficas do tempo de espera na escolarização de crianças com TEA. Horizontes, 44(1), e023267. https://doi.org/10.24933/horizontes.v44i1.2135