A implementação da disciplina biologia no ensino secundário do Liceu Maranhense (1893–1936)
DOI:
https://doi.org/10.24933/horizontes.v44i1.2299Palavras-chave:
história da disciplina Biologia, Liceu Maranhense, teorias curricularesResumo
Este estudo tem como objetivo compreender o percurso de implementação da disciplina Biologia no currículo da escola Liceu Maranhense entre os anos de 1893 e 1936, direcionando olhares para as teorias curriculares. Dessa forma, realizou-se uma pesquisa histórico-documental desenvolvida por meio da análise de regulamentos, leis e programas de ensino. Os resultados revelaram que a disciplina escolar Biologia – além de outros ramos denominados de Zoologia, Botânica e Geologia – estava presente no currículo do Liceu Maranhense no século XIX. Já no início do século XX, a Biologia foi suprimida desse ensino e surgiu o termo História Natural, com a inclusão do ramo Mineralogia. Logo depois, foram incluídas as disciplinas Biologia Geral e Higiene, constituintes do curso complementar do Ensino Secundário, mudanças que refletem a presença acentuada do currículo neutro. Assim, foi possível compreender a presença das disputas e dos interesses na organização desse currículo e a falta de discussões relacionadas à diversidade da cultura maranhense.
Downloads
Referências
ALVES, Eva Maria Siqueira; GAMA, João Paulo Oliveira. Uma história das ciências físicas, químicas e naturais no ensino secundário (1882-1950). Revista História Educação, [S. l.], v. 22, n. 56, p. 165-186, 2018. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/2236-3459/75932. Disponível em: https://www.scielo.br/j/heduc/a/xCB5SSVnVKRJYT3zYg4HwFr/?format=html&lang=pt. Acesso em: 28 jul. 2026.
ANJOS, Juarez José Tuchinski. História das disciplinas escolares: quatro abordagens historiográficas. Revista Reflexão e Ação, Santa Cruz do Sul, v. 21, p. 281-298, 2013. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/scielo.php?pid=S1982-99492013000100281&script=sci_abstract. Acesso em: 28 jul. 2026.
APPLE, Michael W. Repensando ideologia e currículo. In: MOREIRA, Antônio Flávio; SILVA, Tomaz Tadeu (org.). Currículo, Cultura e Sociedade. 11. ed. São Paulo: Cortez, 2009. p. 39-57.
BRASIL. Presidência da República. Decreto n.o 19.890, de 18 de abril de 1931. Dispõe sobre a organização do ensino secundário. Rio de Janeiro: Presidência da República, 1931.
BRASIL. Decreto n.o 21.241, de 4 de abril de 1932. Consolida as disposições sobre a organização do ensino secundário e das outras províncias. Diário Oficial da União, Seção 1, Rio de Janeiro, DF, p. 6673, Poder Executivo, 9 abr. 1932.
CARVALHO, Talita Cristina Raiol. A inserção da Química escolar no currículo de escolas públicas estaduais maranhenses (1890-1914): um olhar a partir da história das disciplinas escolares. 2021. 124 f. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências e Matemática) – Universidade Federal do Maranhão, São Luís, 2021.
CELLARD, André. A análise documental. In: POUPART, Jean; DESLAURIERS, Jean-Pierre; GROULX, Lionel-H.; LAPERRIÉRE, Ane; MAYER, Robert; PIRES, Álvaro. A pesquisa qualitativa: enfoques epistemológicos e metodológicos. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2012. p. 295-315.
CHERVEL, André. História das disciplinas escolares: reflexões sobre um campo de pesquisa. Teoria e Educação, Porto Alegre, n. 2, p. 177-229, 1990.
DALLABRIDA, Norberta. A reforma Francisco Campos e a modernização nacionalizada do ensino secundário. Educação, Porto Alegre, v. 32, n. 2, p. 185-191, 2009.
FERREIRA, Márcia Serra; SELLES, Sandra Escovendo. Entrelaçamento históricos das Ciências Biológicas com a disciplina escolar Biologia: investigando a versão azul do BSCS. In: PEREIRA, Marsílvio Gonçalves; AMORIM, Antônio Carlos Rodrigues (org.). Ensino de Biologia: fios e desafios na construção de saberes. João Pessoa: Ed. Universitário/UFPB, 2008. p. 36-61.
FORQUIN, Jean Claude. As abordagens sociológicas do currículo: orientações teóricas e perspectivas de pesquisa. Educação e Realidade, Porto Alegre, v. 21, n. 1, p. 187-198, 1996.
GOODSON, Ivor. Currículo: teoria e história. Tradução de Attílio Brunetta. 15. ed. Petrópolis: Vozes, 2018.
GRAZZIOTIN, Luciane Sgarbi. Pesquisa documental histórica e pesquisa bibliográfica: focos de estudo e percursos metodológicos. Pro-Posições, Campinas, v. 33, e20200141, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/1980-6248-2020-0141. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pp/a/GJCbBcY4rdVdvQY56T9qLRQ/?lang=pt. Acesso em: 28 jul. 2026.
LE GOFF, Jacques. História e memória. Tradução de Bernardo Leitão. 7. ed. Campinas: São Paulo: Unicamp, 1990.
LEITE, Paula Rayanny Mendonça et al. O ensino da biologia como uma ferramenta social, crítica e educacional. Revista Ensino de Ciências e Humanidade, [S. l.], v. 1, n. 1, p. 400-413, 2017.
LOPES, Alice Casimiro; MACEDO, Elizabeth. Teorias de currículos. São Paulo: Cortez, 2011.
LORENZ, Karl Michael; VECHIA, Ariclê. O debate ciências versus humanidades no século XIX: reflexões sobre o ensino de ciências no Collegio de Pedro II. In: GONÇALVES NETO, Wenceslau; MIGUEL, Maria Elisabeth Blanck; FERREIRA NETO, Amarílio (org.). Práticas escolares e processos educativos: currículo, disciplinas e instituições escolares [séculos XIX e XX]. Vitória: EDUFES, 2011. p. 115-152.
LÜDKE, Menga; ANDRÉ, Marli Eliza Dalmazo Afonso de. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. 2. ed. Rio de Janeiro: E.P.U. 2020.
MARANDINO, Martha; SELLES, Sandra Escovedo; FERREIRA, Marcia Serra. Ensino de Biologia: histórias e práticas em diferentes espaços educativos. São Paulo: Cortez, 2009.
MARANHÃO. Governo do Estado do Maranhão. Regulamento da instrução pública do Maranhão. São Luís: Governo do Estado do Maranhão, 1893.
MARANHÃO. Governo do Estado do Maranhão. Lei n.º 226 de 15 de abril de 1899. Estabelece a reforma do Lyceu Maranhense. São Luís: Governo do Estado do Maranhão, 1899.
MARANHÃO. Governo do Estado do Maranhão. Regulamento do Lyceu Maranhense. São Luís: Governo do Estado do Maranhão, 1901.
MARANHÃO. Governo do Estado do Maranhão. Regulamento do Lyceu Maranhense. São Luís: Governo do Estado do Maranhão, 1916.
MARANHÃO. Relatório apresentado ao Exm. Sr. Dr. Raul da Cunha Machado referente ao ano de 1918, pelo secretário Dr. Henrique José Coleto. Em 10 de Janeiro de 1919. São Luís: Imprensa Oficial, 1919.
MARANHÃO. Governo do Estado do Maranhão. Decreto n.º 46, de 23 de fevereiro de 1931. Aprova novo regulamento para a Instrução Pública do Estado. São Luís: Governo do Estado do Maranhão, 1931.
MARANHÃO. Governo do Estado do Maranhão. Lei n.º 85, de 15 dezembro de 1936. Organiza o curso complementar do Lyceu Maranhense e das outras províncias. São Luís: Governo do Estado do Maranhão,1936.
MOREIRA, Antônio Flávio; SILVA, Tomaz Tadeu. Sociologia e teoria crítica do currículo: uma introdução. In: MOREIRA, Antônio Flávio; SILVA, Tomaz Tadeu (org.). Currículo, Cultura e Sociedade. 11. ed. São Paulo: Cortez, 2009. p. 7-35.
PÁDUA, Elisabete Matallo Marchesini de. Metodologia da pesquisa: abordagem teórico-prática. 8. ed. Campinas: Papirus, 2000.
PILETTI, Claudino; PILETTI, Nelson. História da educação: de Confúcio a Paulo Freire. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2021.
ROMANELLI, Otaíza de Oliveira. História da educação no Brasil (1930/1973). 18. ed. Petrópolis: Vozes, 1986.
SACRISTÁN, José Gimeno. O que significa o currículo? In: SACRISTÁN, José Gimeno (org.). Saberes incertezas sobre o currículo. Porto Alegre: Penso. 2013. p. 1-34.
SANTOS, Maria Cristina Ferreira Maria Cristina Ferreira dos. A biologia de Candido de Mello Leitão e a história natural de Waldemiro Alves Potsch: professores autores e livros didáticos - conhecimento e poder em disputa na constituição da Biologia escolar (1931-1951). 2013. 266 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2013.
SELLES, Sandra Escovedo; FERREIRA, Marcia Serra. Disciplina escolar Biologia: entre a retórica unificadora e as questões sociais. In: MARANDINO, Martha et al. (org.). Ensino de biologia: conhecimentos e valores em disputa. Niterói: EDUFF, 2005. p. 50-62.
SILVA, Tomaz Tadeu. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 1999.
SOUZA, José Edimar; GIACOMONI, Cristian. Análise documental como ferramenta metodológica em história da educação: um olhar para pesquisas locais. Cadernos Ceru, [S. l.], v.32, n.1, 2021.
DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2595-2536.v32i1p139-156. Disponível em: https://revistas.usp.br/ceru/en/article/view/189278. Acesso em: 28 jul. 2026.
VECHIA, Ariclê; LORENZ, Karl Michael. O collegio de Pedro II e a formação da mocidade brasileira (1838-1889). Cadernos de História da Educação, [S. l.], v. 14, n. 1, p. 19, 2015. DOI: https://doi.org/10.14393/che-v14n1-2015-2. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/che/article/view/32113. Acesso em: 28 jul. 2026.
VIEIRA, Sofia Lerche. Legislação educacional na república. In: VIEIRA, Sofia Lerche. Desejos e reformas: legislação educacional no Brasil Império e República. Brasília: Liber Livro, 2008. p. 63-175.
ZOTTI, Solange Aparecida. O ensino secundário no império brasileiro: considerações sobre a função social e o currículo do colégio D. Pedro II. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, n. 18, p. 29-44, 2005.
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Fabiana de Araujo Leite, Clara Virgínia Vieira Carvalho Oliveira Marques

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
a) Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
b) Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
c) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal, desde que através do link da Horizontes) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
d) O manuscrito para submissão deve ser acompanhado por uma carta escaneada assinada por todos os autores, informando que o trabalho não foi enviado para nenhum outro periódico e que acatam as normas contidas nas Diretrizes da Horizontes.

