A Base Nacional Comum Curricular e o desenvolvimento humano
uma análise do projeto de vida à luz de Vigotski
DOI:
https://doi.org/10.24933/horizontes.v44i1.2437Palavras-chave:
Base Nacional Comum Curricular, projeto de vida, Teoria Histórico-Cultural, DefectologiaResumo
No contexto de disputas pelos sentidos que atravessam a Educação Básica brasileira, o presente artigo tem como objetivo analisar o conceito de Projeto de Vida contido na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) à luz da teoria histórico-cultural, de Lev S. Vigotski. Para isso, são focalizadas as dimensões coletiva e prospectiva do desenvolvimento abordadas nos estudos em defectologia, a fim de destacar tensionamentos e fornecer contrapontos necessários para o debate atual sobre a temática. A escolha dessa fundamentação teórico-metodológica justifica-se pelo fato de permitir compreender o desenvolvimento humano como um processo histórico, social e culturalmente mediado, profundamente vinculado às condições concretas de organização da vida em sociedade. Considerando a centralidade das intencionalidades e interesses que constituem os projetos societários, e que determinam os modos de vida em seu interior, salienta-se a urgência em reestruturar a proposta que se reflete na noção de Projeto de Vida. Com base na teoria histórico-cultural, percebe-se que a pedagogia das competências que orienta a BNCC está esvaziada de princípios educativos e tem ocupado consideráveis espaços no currículo e na formação escolar da classe trabalhadora. Na contracorrente, os pressupostos do desenvolvimento humano, que envolvem a discussão da deficiência como condição humana, podem fundamentar um autêntico Projeto de Vida, impulsionado por um modelo de educação integral, prospectiva, pautada na coletividade e referenciada socialmente.
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