A infância governada
um estudo foucaultiano acerca da captura da infância na Modernidade
DOI:
https://doi.org/10.24933/horizontes.v44i1.2282Palavras-chave:
governo, biopoder, infância, Pedagogia, subjetividadeResumo
Este artigo tem como objetivo fazer uma reflexão histórico-filosófica acerca dos modos como se constituiu o sujeito infantil na Modernidade. Para isso utilizou-se a teorização de Michel Foucault, sobretudo acerca da biopolítica e da governamentalidade, por compreender que esta é uma discussão que deve ocorrer de forma crítica e que o filósofo empenhou suas pesquisas para estabelecer as formas com que um indivíduo se torna um sujeito no mundo moderno ocidental. Sendo assim, discorre-se sobre o modo como o poder disciplinar se transmutou em biopoder na Modernidade e passou a operar por meio da biopolítica, atravessando o corpo e a vida da criança para exercer sobre ela técnicas de sujeição e controle. Tais técnicas de poder puderam ser operadas por intermédio do saber científico da Pedagogia, que encontrou na escolarização de crianças o meio para imprimir nelas as marcas da modernidade. Foi realizada uma revisão bibliográfica sobre conceitos foucaultianos que estabelecem as formas como o controle sobre os corpos passou a ser exercido na sociedade e legitimado mediante o binômio poder-saber; e, assim, produzem uma subjetividade específica. Parte-se da hipótese inicial de que a infância, tal qual é conhecida na contemporaneidade, nem sempre existiu, mas passou a ter um estatuto próprio, fazendo com que esse novo objeto dos discursos modernos pudesse ser localizado no tempo e na história, produzindo historicamente a criança moderna.
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