Estratégias de governo para infância órfã: moralidade e disciplina no asilo de São Francisco de Assis (1890-1940)
DOI:
https://doi.org/10.24933/horizontes.v44i1.2316Palavras-chave:
Educação moral, Formação disciplinar, Infância órfã, Asilo de São Francisco de Assis, Assistência e educação da infânciaResumo
O presente trabalho analisa os mecanismos de controle utilizados pelo Asilo de São Francisco de Assis na formação e na educação de meninos órfãos, entre os anos de 1890 e 1940, na cidade de São João del Rei/MG. Para isso, foram elencadas fontes históricas diversas, como o estatuto do Asilo, atas das reuniões da Venerável Ordem Terceira de São Francisco de Assis (VOT); cartas; fotografias, além de jornais. Para a análise dos dados, utilizaram-se os conceitos de dispositivos, relações de poder e produção de saber e de verdade. Os resultados apontam que o Asilo de São Francisco de Assis funcionou como dispositivo para a formação do que seria o novo cidadão brasileiro, a criança disciplinada, fornecendo formação moral católica e formação moral leiga.
Downloads
Referências
ABREU JÚNIOR, Laerthe de Morais; GUIMARÃES, Paula Cristina David. O discurso moral sobre a educação da infância pobre presente na Revista do Ensino de Minas Gerais (1925-1930). Cadernos de Pesquisa em Educação, Vitória, n. 33, v. 17 p. 176-179, jan./jun. 2011. https://doi.org/10.22535/cpe.v0i0. Disponível em: https://periodicos.ufes.br/educacao/pt_BR/article/view/4682. Acesso em: 20 abril 2020.
ARAÚJO, José Carlos Souza. Um capítulo da veiculação da discussão educacional na imprensa do Triângulo Mineiro: a revista A Escola (1920-1921). In: ARAÚJO, José Carlos de Souza; GATTI JÚNIOR, Décio. (Org.). Novos tempos em história da educação brasileira:
instituições escolares e educação na imprensa. Campinas: Autores Associados, 2002, p. 91132.
BASSI, Adélia Carolina; MORAIS, Christianni Cardoso. “Vestir de anjo”: moralidade e práticas educativas em São João del-Rei (1930 1946). Educação em Revista, Belo Horizonte, n. 33, p. 1-29, 2017. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/pdf/edur/v33/1982-6621 edur-33-e162965.pdf. Acesso em: 4 jun. 2020.
CAMARA, Sônia. Sob a guarda da República: a infância menorizada no Rio de Janeiro na década de 1920. Rio de Janeiro: Quartet, 2010.
CARTA recebida pela Venerável Ordem Terceira de São Francisco de Assis – VOT, 1920.
CONTRATO. Instituto de Humanidades e Asilo de São Francisco de Assis, 1904.
CONTRATO. Gymnásio São Francisco e Asilo de São Francisco de Assis, 1909.
CONTRATO Instituto Padre Machado e Asilo de São Francisco de Assis, 1921.
CUNHA, Paola Andrezza Bessa. Educação moral e discurso pedagógico nas associações religiosas leigas: Minas Gerais, séculos XVIII e XIX. In: VAGO, Tarcísio Mauro; OLIVEIRA, Bernardo Jefferson de (Org.). História de práticas educativas. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2008, p. 41-57.
DOMINGUES, Petrônio José. A redenção de nossa raça: as comemorações da abolição da escravatura no Brasil. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 31, n. 62, p. 19-48. 2011. https://doi.org/10.1590/S0102-01882011000200004. Disponível em: https://ri.ufs.br/bitstream/riufs/23127/2/ComemoracoesAbolicaoEscravaturaBrasil.pdf. Acesso em 10 nov. 2021.
FERREIRA, António Gomes; GONDRA, José Gonçalves. Idades da vida, infância e a racionalidade médico-higiénica em Portugal e no Brasil (séculos 17-19). Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, v. 87, n. 216, p. 119-134, maio/ago. 2006. Disponível em: https://rbep.inep.gov.br/ojs3/index.php/rbep/article/view/1413. Acesso em: 15 ago. 2021.
FOUCAULT, Michel. Ditos e escritos IV. Rio de Janeiro: Forense, 2000.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: o nascimento da prisão. 42. ed. Petrópolis: Vozes, 2020.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. 4. ed. Rio de Janeiro: Graal, 1984.
FOUCAULT, Michel. Os anormais: curso no Collége de France (1974-1975). São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010.
GOUVÊA, Maria Cristina Soares de; JINZENJI, MônicaYumi Escolarizar para moralizar: discursos sobre a educabilidade da criança pobre (1820-1850). Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 11, n. 31, p. 114-132, jan./abr. 2006. https://doi.org/10.1590/S1413-24782006000100009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbedu/a/3FwMXhTpWgMy9YSJgd9zsXR/?lang=pt. Acesso em: 20 out. 2020.
GUIMARÃES, Paula Cristina David. A escrita educacional feminina de Maria Lacerda de Moura (1918-1919). Revista Diálogo Educacional, Curitiba, v. 20, p. 1639-1663, 2020. https://doi.org/10.7213/1981-416x.20.067.ds07. Disponível em: https://periodicos.pucpr.br/dialogoeducacional/article/view/27442/24587. Acesso em: 20 mar. 2021.
IGREJA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS. Cópia asilado. Arquivo. 1920.
KUHLMANN JÚNIOR, Moysés. Infância e educação infantil: uma abordagem histórica. 7. Ed. Porto Alegre: Mediação, 2015.
LOBO, Lilia Ferreira. O nascimento da criança anormal e a expansão da psiquiatria no Brasil. In: RESENDE, Haroldo de (Org.). Michel Foucault: o governo da infância. Belo Horizonte: Autêntica, 2019, p. 199-215.
LOPES, Maria Antónia. Pobreza, assistência e controlo social em Coimbra. Viseu: Palimage, 2000.
MARGOTTO, Lilian Rose. Criança e educação moral: evolução e psicologia na imprensa pedagógica paulista. In: GONDRA, José Gonçalves (Org.). Dos arquivos à escrita da história: a educação brasileira entre o império e a república. 2. ed. Bragança Paulista: EDUSF, 2002. p. 165-189.
MARCÍLIO, Maria Luiza. História social da criança abandonada. 3. ed. São Paulo: Hucitec, 2019.
MARCÍLIO, Maria Luiza. A roda dos expostos e a criança abandonada na história do Brasil (1726-1950). In: FREITAS, Marcos Cezar de (Org.). História social da infância no Brasil. São Paulo: Cortez, 2006, p. 53-79.
NARITA, Felipe Ziotti. A educação da sociedade imperial: moral, religião e forma social na modernidade oitocentista. Curitiba: Appris, 2019.
NEVES, Frederico de Castro. Caridade e controle social na Primeira República. Estudos Históricos, Rio de janeiro, v. 27, n. 53, p. 115 133, jan./jun. 2014. https://doi.org/10.1590/S0103-21862014000100006. Disponível em: https://periodicos.fgv.br/reh/article/view/12757/31330. Acesso em: 15 ago. 2020.
O REPÓRTER. São João del-Rei. Edições de 1906, 1907, 1909 e 1914.
O PHAROL. Juiz de Fora. Edições de 1915.
OLIVEIRA, Lúcia Helena M. M.; GATTI JÚNIOR, Décio. História das instituições educativas: um novo olhar historiográfico. Cadernos de História da Educação, Uberlândia, v.1, p. 73-76, jan./dez. 2002. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/che/article/view/310/302. Acesso em: 10 jun. 2021.
RAFANTE, H. C.; LOPES, R. E. Helena Antipoff e a Fazenda do Rosário: a educação pelo trabalho de meninos “excepcionais” na década de 1940. Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo, São Paulo, v. 19, n. 3, p. 144-152, set./dez. 2008. Disponível em: https://revistas.usp.br/rto/pt_BR/article/view/14041/15859. Acesso em: 15 maio 2020.
RIZZINI, Irene. O século perdido: raízes históricas das políticas públicas para a infância no Brasil. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
SANGLARD, Gisele; FERREIRA, Luiz Otávio. Pobreza e filantropia. Estudos Históricos (Rio de Janeiro), v. 27, p. 71-91, 2014. https://doi.org/10.1590/S0103-21862014000100004. Disponível em: https://periodicos.fgv.br/reh/article/view/14339. Acesso em: 25 jun. 2020.
SARMENTO, Manuel; GOUVÊA, Maria Cristina Soares de. Olhares sobre a infância e a criança. In: SARMENTO, Manuel; GOUVÊA, Maria Cristina Soares de. (orgs.). Estudos da infância: educação e práticas sociais. Petrópolis: Vozes, 2009, p. 7-13.
SOUZA, Marco Antônio de. A economia da caridade: estratégias assistenciais e filantropia em Belo Horizonte. Belo Horizonte: Newton Paiva, 2004.
VEIGA, Cynthia Greive. A escolarização como projeto de civilização. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 21, p. 90-103, set./dez. 2002. https://doi.org/10.1590/S1413-24782002000300008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbedu/a/QsmTD5KL9kvn8BF9Z6dSynq/?lang=pt. Acesso em: 14 abr. 2019.
VEIGA, Cynthia Greive. Cultura escrita e educação: representações de criança e imaginário de infância: Brasil, século XIX. In: LOPES, A.; FARIA FILHO, L. M. de.; FERNANDES, Rogério (Org.). Para compreensão histórica da infância. Belo Horizonte: Autêntica, 2007, p. 39-66.
VENÂNCIO, Renato Pinto. Famílias abandonadas: assistência à criança de camadas populares no Rio de Janeiro e em Salvador: Séculos XVIII e XIX. Campinas: Papirus, 1999.
VENERÁVEL ORDEM TERCEIRA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS – VOT. Atas de livro 4º de termos, 1888.
VENERÁVEL ORDEM TERCEIRA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS – VOT. Estatuto. 1891.
VENERÁVEL ORDEM TERCEIRA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS – VOT. Relatórios enviados à secretaria de interior. 1911 - 1915.
VENERÁVEL ORDEM TERCEIRA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS – VOT. Renovação do contrato Instituto Padre Machado e Asilo de São Francisco de Assis, 1925.
VIEIRA, Marina Tucunduva Bittencourt Porto. O asilo de órfãos de Santos na engrenagem da cidade (1908-1931). 2012. Tese (Doutorado em Educação) –Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, 2011.
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Fabiana Inácia da Silva Assunção, Paula Cristina David Guimarães

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
a) Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
b) Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
c) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal, desde que através do link da Horizontes) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
d) O manuscrito para submissão deve ser acompanhado por uma carta escaneada assinada por todos os autores, informando que o trabalho não foi enviado para nenhum outro periódico e que acatam as normas contidas nas Diretrizes da Horizontes.

